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Deutsche Bank põe finanças da União Europeia em xeque

Com a possibilidade ser punido com multa bilionária, maior banco da Alemanha assusta investidores e autoridades por seu risco sistêmico

Andrei Netto | CORRESPONDENTE - PARIS, O Estado de S. Paulo

02 de outubro de 2016 | 05h00

A turbulência em torno do banco alemão Deutsche Bank, o maior do país e um dos mais “sistêmicos” do mundo, trouxe de volta a incerteza aos mercados financeiros. Desde janeiro, as ações da instituição se desvalorizaram 50%. 

A crise em torno do Deutsche se agravou ao longo da semana passada e chegou ao seu ápice na sexta-feira, quando as ações foram negociadas abaixo de € 10, espalhando o temor nos mercados financeiros internacionais. Mas, ainda na sexta, o cenário de pessimismo se reverteu com a informação da agência AFP de que o Departamento de Justiça americano reduziria a multa de US$ 14 bilhões para US$ 5,4 bilhões. As ações do banco, em Wall Street, fecharam em alta de 6,39%.

A multa do Deutsche Bank tem relação com os problemas estruturais do banco. Desde 2007, época da falência do banco americano de investimentos Lehman Brothers, a instituição vem sendo investigada por ter vendido títulos de má qualidade, os subprimes, sabendo que se tratavam de ativos tóxicos. 

Ao longo dos últimos meses, os investidores temeram que a multa de US$ 14 bilhões pudesse levar a instituição à insolvência. Nem mesmo o fato de o banco deter mais de € 230 bilhões em recursos próprios impediu a histeria nos mercados. Em nota, a consultoria parisiense Aurel BGC definiu a saúde financeira do Deutsche como “uma das principais fontes de estresse dos investidores”. “O episódio Lehman Brothers e os riscos sistêmicos (...) voltam muito rapidamente à memória”, afirmaram os consultores.

Para a maior parte dos especialistas, o banco alemão não será o novo Lehman Brothers porque os mecanismos de acompanhamento dessas instituições de risco sistêmico hoje são melhores que os de 2007. Segundo eles, o Deutsche é de fato uma instituição problemática, mas longe de ser a mais preocupante da União Europeia. “O Deutsche é um banco que pesa € 1 trilhão, muito conectado, e todo risco em torno dele seria de fato sistêmico. Por isso não é ilegítimo que tenha havido uma atenção midiática”, disse Nicolas Veron, cofundador do Instituto Bruegel, de Bruxelas, e pesquisador convidado do Peterson Institute for International Economics, de Washington. Mas, para o economista francês, supor que a instituição seria insolúvel é um erro de apreciação ou uma atitude deliberada de especulação financeira. “Com uma multa de US$ 15 bilhões, ele teria problemas de liquidez, mas esse cenário não é verossímil.”

Talvez por confiar nos mecanismos de salvaguarda, a União Europeia e o governo da Alemanha emitiram sinais na semana passada de que não pretendem socorrer o banco. 

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