AP/Richard Drew
AP/Richard Drew

Deutsche Bank vai cortar 18 mil empregos em reestruturação de 7,4 bi de euros

O plano representa um grande recuo do Deutsche Bank no mercado financeiro, após anos tentando competir como uma força importante de Wall Street

Agências, Reuters

08 de julho de 2019 | 11h42

O banco alemão Deutsche Bank disse nesta segunda-feira, 8, que  planeja cortar 18 mil postos de trabalho, em uma reestruturação avaliada em de 7,4 bilhões de euros (US$ 8,3 bilhões) projetada para resolver os problemas do banco alemão.  Hoje, a instituição financeira emprega 91,5 mil pessoas no mundo todo. 

O plano representa um grande recuo do Deutsche Bank no mercado financeiro, após anos tentando competir como uma força importante de Wall Street.  O banco abandonará seu negócio global de ações e reduzirá seu banco de investimentos. Espera prejuízo líquido de 2,8 bilhões de euros no segundo trimestre, resultado dos custos de reestruturação.  Além disso, há expectativas muito baixas de contas no azul no ano que vem, informou a empresa. Dos últimos cinco anos, o Deutsche operou por quatro no vermelho. 

Além dos cortes esperados no negócio de ações, o Deutsche disse que também cortará algumas operações de renda fixa, área tradicionalmente considerada um dos pontos fortes do banco.  Analistas do JP Morgan, por sua vez, chamaram o plano de "corajoso", mas questionaram sua credibilidade de execução, possibilidade de crescimento nas receitas e até a motivação dos funcionários que ficarem na empresa alemã. 

Demissão lota pub em Londres

Em Londres, o banco emprega hoje 8 mil pessoas – mas muitas delas deixaram o prédio da empresa pela última vez. Poucos quiseram falar, porém. "Eu fui demitido hoje, foi uma reunião curta e só", disse um empregado da área de tecnologia da informação (TI), que trabalhava em um projeto no banco há mais de dois anos. Enquanto isso, o pub ao lado, chamado Balls Brothers, estava lotado de ex-funcionários. 

Fundado em 1870, o Deutsche Bank foi, durante muito tempo, uma das principais fontes de recursos e conselheiros para empresas alemãs que buscavam sua internacionalização. Os cortes revelados nesta segunda-feira, 8, porém, são uma reversão para um percurso de décadas do banco, em uma expansão global que começou em 1989, com a compra do Morgan Grenfell, e avançou uma década depois com a aquisição do americano Bankers Trust. 

Em Hong Kong, um trader demitido disse que o humor estava "bem para baixo" dentro da empresa. "Eles te dão esse pacote e você está fora do prédio", disse ele. Muitos trabalhadores deixaram o escritório segurando envelopes com o logotipo do banco. Três deles tiraram uma selfie, se abraçaram e depois dividiram um táxi. "Se você tiver um emprego, por favor, me avise. Mas não pergunte nada", disse um deles. Enquanto isso, um banqueiro sênior, ainda empregado, se perguntou como a empresa poderá competir no mercado asiático. "Será que os clientes vão ficar conosco ou é game over?". 

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