Devolução de choque de alimentos e recessão seguram inflação

Indicador encerrou o ano de 2016 em 6,29% e teve menor avanço para dezembro desde 2008

Alessandra Ribeiro, O Estado de S.Paulo

11 de janeiro de 2017 | 21h15

A inflação ao consumidor passou a maior parte do ano passado acima de 8,5% (variação em 12 meses). O choque altista nos preços de alimentos, por problemas de safra, e a resiliência da inflação de serviços, a despeito da profunda recessão, não permitiam visualizar a inflação na meta até o meio de outubro. A mediana das projeções de mercado, segundo a pesquisa Focus, apontava inflação acima de 7,0% até meados deste mês.

Dois fatores foram cruciais para que a inflação encerrasse o ano dentro do teto da meta: a devolução da pressão de alimentos e a maior desaceleração da inflação de serviços. O cenário benigno para alimentos ocorreu mais claramente a partir de setembro. Adicionalmente, a inflação de serviços, excluindo passagem aérea, desacelerou mais no segundo semestre.

Para 2017, a expectativa da Tendências para o IPCA é de 4,8%. Além do cenário favorável esperado para alimentos, com alta de 5,2% ante 8,6% em 2016, resultado da recuperação da produção de itens relevantes como milho e soja, é estimada a continuidade da desaceleração de serviços para 4,8% em função do comportamento ainda adverso do mercado de trabalho. A taxa de desemprego média deve ficar em 13,1% neste ano e espera-se uma queda da massa real de rendimentos de 1,2%.

Com a inflação caminhando para o centro da meta este ano e as expectativas bem ancoradas para 2018, o BC tem espaço para reduzir mais a Selic ao longo do ano. O cenário, entretanto, não está livre de riscos, o que terá de ser acompanhado atentamente. Reflexos de um governo Trump rumo a searas perigosas como o protecionismo e riscos existentes à continuidade da aprovação das reformas, em especial a previdenciária, e à resolução da situação dos Estados no âmbito doméstico podem limitar o espaço para a redução da Selic.

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