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Dez anos compactados em apenas um

A pandemia acelerou a transformação digital e mudou a forma como trabalhamos, estudamos e consumimos

Media Lab Estadão, O Estado de S.Paulo
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28 de dezembro de 2020 | 14h22

Um dos consensos em torno da pandemia é de que as circunstâncias contribuíram para acelerar a transformação digital das empresas e dos lares brasileiros. Home office, estudo online, telemedicina, compras pela internet, todos esses aspectos acumularam ao longo de 2020 avanços que só seriam alcançados em três, cinco ou até dez anos.

O aumento no número de casos de covid-19 nas últimas semanas de 2020 reafirmou, para muitas empresas, o acerto da decisão de estender o esquema de trabalho remoto. Muitas já estão decididas a torná-lo definitivo mesmo depois da pandemia.

Uma ampla pesquisa realizada em novembro pela SAP Consultoria em Recursos Humanos confirmou o quanto o home office veio para ficar. Das 554 empresas de diferentes segmentos e portes ouvidas, 46% já adotavam a prática de trabalho remoto de forma estruturada antes da pandemia e 52% a adotaram emergencialmente neste ano, por força das circunstâncias. Dessas, 72% pretendem torná-la definitiva, ainda que em eventuais modelos híbridos.

Digital é a regra

Este ano pandêmico reforçou a necessidade de adaptação à tecnologia por parte das pessoas, dos profissionais e das corporações, sob pena de simplesmente ficarem para trás. A chamada Qualificação Digital é uma urgência diante da projeção de que, ao longo da década que está começando, 30% dos empregos atuais simplesmente deixarão de existir por conta da evolução tecnológica, com o crescente uso de recursos de inteligência artificial e de robótica.

 Enquanto isso, os empregos em tecnologia estão sobrando no mercado brasileiro. São cerca de 30 mil vagas em aberto no País – algumas há vários meses, pois muitas empresas não conseguem encontrar profissionais preparados e disponíveis para preenchê-las.

A perspectiva é de que esse déficit continue aumentando. A Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom) projeta uma demanda de 70 mil novos profissionais por ano até 2024, enquanto o número de formados pelos cursos oficiais da área no País não chega a 50 mil por ano.

A missão de encontrar profissionais prontos se torna ainda mais complexa porque não basta ter conhecimentos técnicos. Cada vez mais, é preciso se destacar também nas chamadas soft skills. De acordo com a pesquisa Tech Jobs Report, realizada pela escola de tecnologia Gama Academy, os atributos de comportamento mais buscados pelas contratantes são capacidade de resolução de problemas (citado por 87,3% dos recrutadores entrevistados), facilidade para trabalho em equipe (85,5%) e proatividade (80%). “O fato é: o digital é a regra e se adaptar a ele é uma necessidade real”, resume Guilherme Junqueira, CEO da Gama Academy.

Equilíbrio vida-trabalho

Em outra pesquisa divulgada recentemente, realizada com grandes empresas do Brasil e outros quatro países da América Latina pela consultoria de negócios e tecnologia Everis, braço do grupo japonês NTT Data, 81% dos executivos ouvidos consideram que a transformação digital é o principal fator de mudança no mercado de trabalho para a década que está começando. Ao mesmo tempo, apenas 47% disseram que a empresa em que trabalham já tem uma estratégia de transformação digital que integra os esforços e objetivos da corporação.

“A transformação digital é considerada uma reinvenção completa das empresas, sob um enfoque estratégico, operacional, tecnológico e até humano”, diz Carlos Company, head de Estratégia Digital da Everis América. “Um princípio-chave reside não apenas na migração da operação para canais ou plataformas digitais, mas na identificação de como os novos desenvolvimentos tecnológicos podem funcionar como facilitadores de novos modelos de negócios.”

A pesquisa, que no Brasil incluiu empresas como Grupo Pão de Açúcar, Latam, Porto Seguro e Itaú, revelou que 80% das participantes consideram não dispor de talentos suficientemente preparados para enfrentar os desafios do futuro. Além disso, 53% admitiram que não estão conseguindo atender adequadamente às demandas dos novos talentos – a principal dessas demandas, na visão das empresas, é o equilíbrio entre vida e trabalho, citada por 82% dos entrevistados.

Tudo ao mesmo tempo agora

O salto dado pelo e-commerce no Brasil durante a pandemia correspondeu a todo o avanço acumulado ao longo dos últimos dez anos. De acordo com a pesquisa TIC Domicílios, realizada anualmente pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), o porcentual de brasileiros que compravam pela internet no Brasil saltou de 19% para 35% entre 2009 e 2019. Durante a pandemia, esse patamar chegou a 60%. Grande parte do avanço foi consequência da adesão da classe C.

O número de negócios virtuais também cresceu muito – mesmo porque, em boa parte dos casos, não foi uma opção, e sim uma questão de sobrevivência. A Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm) registrou o ingresso de 110 mil empresas no comércio eletrônico no País desde o início da pandemia, o que representa um acréscimo de 80% no número de lojas digitais registradas até então pela associação.

Aumento de renda

A ótica digital Baruc é um exemplo. “Toda a nossa divulgação é feita online. Se não fosse o mundo digital, eu não sei como estaríamos ganhando o pão da nossa família neste momento”, conta a proprietária do negócio, Priscila de Caires Domingos.

No início da pandemia, ela perdeu o emprego na área administrativa de uma ótica e decidiu continuar no ramo, só que como empreendedora. Em parceria com o marido e um técnico, criou um modelo de negócio sem sede física. Ela apresenta os modelos disponíveis de armações pela internet e leva o mostruário a domicílio, em qualquer parte da cidade de São Paulo, para que os clientes em potencial possam experimentar as armações. “Em geral, como as pessoas já viram os modelos pela internet e são informadas previamente dos preços, a compra acaba sendo fechada”, conta Priscila, que está fazendo curso técnico em óptica pelo Senac para conhecer melhor a área e aprimorar o atendimento.

Uma grande dificuldade para pequenos empreendedores digitais é a necessidade de ter de cuidar de tudo ao mesmo tempo. Priscila está trabalhando, em média, dez horas por dia, incluindo fins de semana – ante jornadas de 40 horas semanais no emprego anterior. “Mas eu me sinto bem mais realizada e estou ganhando 60% mais do que ganhava”, ela compara.

 

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