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Dez bancos apóiam Vale em compra

Mineradora enviou técnicos para avaliar minas e usinas da Anglo American, um dos possíveis alvos da oferta

Daniele Carvalho e Monica Ciarelli, O Estadao de S.Paulo

19 de junho de 2008 | 00h00

A Vale já deu a partida para fazer uma grande aquisição internacional e se tornar a maior mineradora do mundo, ultrapassando a anglo-australiana BHP Billinton. Desde o mês passado, a Vale tem enviado equipes técnicas a minas e usinas da Anglo American, no Brasil e em países como África do Sul, Colômbia e Austrália. A orientação dada a essas equipes é a observar os ativos sob a ótica de uma eventual compra, buscando sinergias para cortar custos e obter ganhos de escala. A Anglo está na mira da Vale, mas também figuram como possíveis alvos as americanas Freeport McMoRan, segunda maior produtora de cobre do mundo, e a Alcoa, uma das líderes na fabricação de alumínio, como o Estado informou na semana passada.No início dessa semana, o assunto ganhou força depois que o jornal britânico Observer informou que grandes acionistas da Anglo estão dispostos a aceitar uma possível oferta da Vale, caso supere em, pelo menos, 25% o valor de mercado da companhia, estimado em cerca de US$ 85 bilhões. A Vale está reforçando o caixa para a aquisição. Na semana passada, a empresa anunciou uma oferta de ações no valor de US$ 14 bilhões para se capitalizar. Agora, fontes ligadas à empresa dizem que a Vale está costurando um pacote bilionário de financiamento com bancos. Fazem parte da operação seis dos oito bancos (HSBC, Santander, BNP, Royal Bank of Scotland, Citi e Credit Suisse) que apoiaram a Vale na tentativa frustrada de compra da Xstrata, no início do ano. Também vão participar outras quatro instituições financeiras que não estavam presentes na negociação da Xstrata - Bradesco, Banco do Brasil, JP Morgan e Calyon. Na época da tentativa de compra da Xstrata, a Vale conseguiu empréstimos no valor de US$ 50 bilhões.Ontem, o presidente da Vale, Roger Agnelli, esteve com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, em Brasília. Oficialmente, o encontro foi tratado como uma visita de cortesia. Fontes ligadas à empresa dizem que Agnelli foi contar seus planos de aquisição. Na tentativa de compra da Xstrata, a Vale encontrou resistência política em setores do governo, a começar pela ministra Dilma Roussef, que cobrava maiores investimentos no País.O Estado apurou que o pacote de financiamento dos bancos sai até o dia 30 de junho. A oferta de ações deverá fechar no dia 15 de julho. É provável que a oferta da Vale pela Anglo - ou outra grande mineradora - seja feita entre as duas datas. O que já está definido na Vale é que ela fará uma oferta por um grande grupo, com o objetivo de se tornar a líder em mineração.ANGLOEspecialistas dizem que o eventual foco da Vale na Anglo estaria nos ativos de minério de ferro e carvão, mas se estenderia ao níquel e ao cobre. Mas a Anglo traria a reboque negócios que estão fora da estratégia da Vale, como diamantes e platina. A compra de um ativo no exterior nunca saiu do radar da Vale, segundo o presidente da Previ, Sérgio Rosa, embora negue que haja negociação em curso. "A Vale vê sempre as aquisições como algo possível, à medida que as oportunidades estejam disponíveis", disse. A Previ divide o bloco de controle da mineradora com a Bradespar. Analistas financeiros dizem que a Vale terá duas dificuldades caso queira comprar a Anglo. A primeira delas é a ginástica financeira para obter recursos sem perder a nota de grau de investimento dada pelas agências de classificação de risco. A segunda diz respeito a restrições que a Vale poderá sofrer por parte de órgãos reguladores da concorrência no Brasil e no exterior. Caso o negócio seja fechado, a Vale teria, somente no Brasil, mais duas reservas de minério de ferro - os projetos MMX Minas-Rio e MMX Amapá -, que pertenciam ao empresário Eike Batista e foram comprados pela Anglo no ano passado. Para administrar estes ativos, o grupo britânico criou a Iron X. "A Vale já enfrenta na Justiça uma longa discussão em torno de sua concentração no segmento de minério de ferro no País'', ressalta o analista da área de mineração do Banco Brascan, Rodrigo Ferraz.

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