Dez perguntas sobre a recessão no País

Colunista José Paulo Kupfer participou do Face to Face pelo Facebook do 'Estado'; confira os melhores momentos

O Estado de S. Paulo

28 de agosto de 2015 | 16h40

Começa agora o Face to Face com o colunista do Estado José Paulo Kupfer sobre o resultado do PIB. Para participar, escreva sua pergunta nos comentários da foto #EstadaoPosted by Economia Estadão on Sexta, 28 de agosto de 2015

O Brasil está em recessão em 2015. Em meio ao cenário de crise política e econômica no País, o Produto Interno Bruto (PIB) recuou 1,9% no segundo trimestre ante os três primeiros meses do ano – o maior tombo desde o primeiro trimestre de 2009. O colunista José Paulo Kupfer participou do Face to Face do Estado para tirar dúvidas dos leitores sobre o recuo da economia brasileira. Veja abaixo os melhores momentos e confira, clicando acima, a íntegra:

Como essa queda no PIB impacta efetivamente nas vidas das pessoas e o que podemos fazer para amenizar isso? (Thiago El Azzi)

José Paulo Kupfer: O PIB é uma medição empírica, a partir de modelos teóricos de relação entre setores de produção. Em resumo, é uma média de médias. As relações entre os setores não vão todas na mesma direção, quando a economia, nessa espécie de média que é PIB, vai para cima ou para baixo. Tem setores que ganham quando o PIB cai e outros que perdem quando o PIB sobe No momento, por exemplo, com o dólar mais alto, viagens internacionais estão perdendo. Mas, por isso mesmo, estão sendo substituídas por viagens nacionais. Mesmo que menos gente esteja animada para viajar, pode ser que o turismo interno venha a ganhar, mesmo com a baixa do PIB.

A crise foi causada diretamente pelas intervenções governamentais? (Eduardo Sodré)

José Paulo Kupfer: A crise tem razões estruturais, muitas não atacadas há décadas, crise na economia global e erros de política econômica doméstica. A tentativa de evitar o aprofundamento da crise com ações antiícilicas, na minha opinião, não estava errado. Errado – e muito – foi tentar dar dribles, usar truques e maquiagens para encobrir os desequilíbrios gerados.

A volta da CPMF, poderia prejudicar mais ainda o PIB, visto que as pessoas consumiriam menos com um imposto a mais, prejudicando o comércio e a indústria? (Evandro Monteiro Jr)

José Paulo Kupfer: A volta da economia prejudica a economia, na minha opinião, logo prejudicaria a evolução do PIB sim, não só por um eventual consumo menor – nisso a CPMF não terá grande impacto. O impacto maior seria na competitividade da economia, sobretudo nas exportações. Escrevi há um mês uma coluna explicando isso.

Haveria uma forma, em linhas gerais, de explicar o motivo da inflação em alta juntamente com a recessão técnica no Brasil? (Yuri Mourão)

José Paulo Kupfer: A melhor explicação no caso, vem dos reequilíbrios promovidos nos preços administrados, tipo combustíveis, energia etc. Estes vão subir mais de 15% este ano. Também ainda há indexação na economia, mas em menor amplitude do que antes do Plano Real. Mas, com recessão, a tendência é de que a alta de preços recue.

Como explicar o nível da taxa Selic nessa recessão? Se o governo mudasse a política fiscal, ainda assim a política monetária teria de ser tão restritiva? (Umberto Rahal)

José Paulo Kupfer: Minha opinião é a de que, no momento, tanto a política fiscal quanto a monetária estão contracionistas. Então, a política monetária (juros) não precisasse ser tão apertada, até porque tem recessão forte e a inflação anda alta também por um componente que não é afetado por alta de juros – a recomposição dos preços administrados.

Com a valorização do dólar a indústria possui alguma chance de retomada de crescimento? Como o sr. analisa o corte de gastos do governo federal e a elevação dos impostos? (Felipe Freitas)

José Paulo Kupfer: Sobre dólar e indústria, minha resposta é sim. Sobre corte de gastos e elevação de impostos, acho que cortes são necessários, até para adequar coisas criadas há mais de 20 anos, aos tempos atuais. A carga tributária talvez não precise crescer, mas seu perfil tem de mudar, taxando mais quem pode mais, para que cresça sem novos tributos.

Será que o dólar ultrapassa R$ 4,00 em 2016? (Júlio Valongo)

José Paulo Kupfer: É muito arriscado prever evolução das cotações do dólar. Lembro apenas que o Banco Central tem bala para segurar as cotações, caso não haja um ataque especulativo. Aliás, essa bala do BC, principalmente o nível de reservas internacionais, é que ajudou a não haver ataque em 2008/2009 e, provavelmente, não haverá agora.

Há alguns meses o governo realizou uma parceria com a China, país que está passando por um "turbulência" na economia. O quanto a crise chinesa afeta o Brasil? Um possível impeachment ou renúncia da Dilma, melhoraria o cenário da economia brasileira? (Victor Alves De Brito Filho)

José Paulo Kupfer: A China afeta muito o Brasil porque os chineses importam 20% das exportações brasileiras. Se importarem menos, já viu. Os investimentos chineses no Brasil, prometidos recentemente, fazem parte da política de alocação de recursos para investimento fora da China e, dependendo dos limites impostos pelos contratos, se realizados, podem ser bons para o Brasil. Mas tem muitos "ses" aí. Não sei dizer se uma troca de governo agora mudaria muita coisa, diante dos problemas estruturais que temos. Sei, porém, que não há espaço legal para impeachment, no presidencialismo, apenas por eventual ou suposta incompetência do governante. Isso não está previsto, certo?

A gente tem chance de sair dessa? Quando e como? (Marta Catarina Valente)

José Paulo Kupfer: Não só temos chance como vamos sair. Sempre saimos e assim continuará. Por natureza, a economia é cíclica. Quando fica muito alta, cai. Quando fica muito baixa, sobe. Estamos no ciclo de baixa. Saber quando é uma história mais complicada. Talvez em 2017 a curva comece a inverter, mas as previsões apontam para uma volta lenta.

O que esperar pro proximo ano, existe alguma previsão de melhora? (Laís Santos)

José Paulo Kupfer: Vamos dizer que as previsões são de que 2016 seja menos pior. Na verdade, 2015 está tão ruim porque também o governo está tentando concentrar os ajustes e reequilíbrios neste 2015. Mas ainda não deve ter crescimento da economia no ano que vem. mas sim uma queda menor – talvez bem menor.

Tudo o que sabemos sobre:
PIBrecessãojosé paulo kupfer

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.