Tiago Queiroz/Estadão - 25/11/2020
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Inflação e juros em alta devem diminuir as vendas do Dia das Mães

Confederação Nacional do Comércio prevê movimento de R$ 14,22 bilhões na data, 1,8% a menos na comparação anual

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2022 | 18h40

Apesar da retomada das atividades do comércio em razão do arrefecimento da pandemia, inflação de dois dígitos, juros em alta e queda da renda do trabalho devem provocar retração nas vendas do Dia das Mães deste ano, a principal data para o varejo do primeiro semestre. A expectativa é de que a data movimente R$ 14,22 bilhões, uma cifra 1,8% menor comparada ao volume de vendas de 2021, já descontada a inflação do período, segundo projeções da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Levantamento feito pela entidade desde 2013 mostra que, pela primeira vez neste ano, nenhum dos 26 produtos e serviços que compõem a cesta de itens mais consumidos na data teve queda de preços nos últimos 12 meses até maio. Esse é um sinal de que a inflação está muito espalhada entre os diversos setores da economia.

A cesta de produtos e serviços consumidos no Dia das Mães deste ano está 10,6% mais cara em relação ao ano passado e registra a maior alta desde que o estudo foi iniciado em 2013.

Os preços de roupas, perfumes e chocolates, geralmente, os presentes mais procurados pelos filhos, subiram 12%, 14,4% e 10,2%, respectivamente, nos últimos 12 meses até maio. O levantamento considerou a variação de preços acumulada no período pelo IIPCA-15 do IBGE, a prévia da inflação oficial e projetou o resultado da inflação esperada para maio.

Altas ainda mais expressivas de preços foram registradas nos eletroeletrônicos. A geladeira, que lidera a lista do aumentos, ficou 27,8% mais cara no período, seguida pelo fogão (24,9%) e o televisor (14%).

No caso desses produtos, além do aumento de preço muito acima da inflação da cesta avaliada para o período, jogam contra o consumo para a data as elevadas taxas de juros. É que esses itens são, na maioria das vezes, comprados a prazo por causa do alto valor. Fabio Bentes, economista-chefe da CNC e responsável pelas projeções,lembra que em maio de 2021, a taxa de juros básica (Selic) da economia brasileira estava em 3,5% ao ano e hoje está em 11,75%.

A alta da Selic para conter a inflação tem desdobramentos sobre o custo do crédito ao consumidor na ponta. Ela pressiona os juros na vida real, encarece a prestação dos financiamentos e inibe as compras. Entre maio do ano passado e abril deste ano, a taxa média de juros das principais operações de crédito saltou de 5,88% ao mês (ou 98,5% ao ano) para 6,57% ao mês (ou 145,9% ao ano), segundo pesquisa mensal da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac).

Além disso, a queda no rendimento real da poupulação, que encolheu mais de 6% entre o primeiro trimestre deste ano e o mesmo período de 2021, piora o quadro.  "Houve uma evidente deterioração das condições de consumo, caracterizada por queda na renda real, aumento de juros e do nível geral de preços", afirma Bentes. Ele ressalta que, se em anos anteriores, a pandemia explicava o desempenho das vendas, desta vez fatores macroeconômicos são responsáveis pelo resultado, uma vez o fluxo de consumidores nas lojas está praticamente reagularizado. 

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