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Dia das Mães: pesquise preços e compre à vista

Realizar as compras sempre à vista. Esta é a recomendação de especialistas em consumo para as compras do Dia das Mães. Os altos juros dos financiamentos, do cheque especial e do cartão de crédito são o principal motivo para que o consumidor fuja das compras parceladas. De acordo com pesquisa realizada pelo Procon-SP no mês de abril de 2002, os juros mensais do cheque especial e dos empréstimos pessoais em 14 bancos de São Paulo estavam, em média, em 8,84% e 5,48%, respectivamente. Os juros rotativos do cartão de crédito, de acordo com pesquisa da Agência Estado, estavam em 9,77% ao mês, em média. Caso o consumidor não tenha condições de efetuar o pagamento à vista, a principal recomendação da assessora de direção da Fundação Procon-SP, órgão de defesa do consumidor ligada ao governo estadual, Dinah Barreto, é que se evite a contratação de dívidas, cujas parcelas comprometam o equilíbrio do seu orçamento doméstico. Dica: comparar preços e juros O primeiro passo para uma boa compra no Dia das Mães é realizar uma pesquisa de preços e optar pelo pagamento à vista. Caso o consumidor tenha que parcelar a sua compra, deve comparar os juros cobrados e não assumir uma dívida incompatível com o seu orçamento. Dinah Barreto orienta: "O consumidor não deve se deixar levar pelo lado emocional. Ele deve gastar apenas aquilo que pode". O presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Alencar Burti, também recomenda ao consumidor pagar suas compras à vista e fugir do parcelamento. Ele afirma que o consumidor só deve realizar um parcelamento se for realmente necessário e deve ter cuidado para que as prestações não comprometam seu orçamento mensal. Cuidado com os pré datados Se optar por pagar as compras com cheques pré-datados, o consumidor não deve deixar de emitir os cheques nominais à loja, anotando no verso o dia combinado para o depósito e exigir que essa informação conste da nota fiscal. Se o pagamento for feito com cartão de crédito, o consumidor deve estar atento a que todos os campos do boleto estejam preenchidos corretamente e que o cartão devolvido seja realmente o seu. Os estabelecimentos comerciais não são obrigados a aceitar cheques, avisa a assessora de direção do Procon-SP. "Porém, se a loja aceitar esse meio de pagamento, não pode haver nenhuma distinção com relação ao tempo da abertura da conta dos clientes", alerta Dinah Barreto. Ela explica que algumas lojas estavam praticando o ato ilegal de não aceitar cheques de consumidores com contas abertas há menos de um ano. Como o uso do pré-datado é uma maneira informal de concessão de crédito, existem alguns riscos. O vendedor pode não honrar o acordo e depositar o cheque antes do prazo. Não há nenhum instrumento formal que o impeça de fazê-lo. Em muitos casos, o comerciante repassa o cheque a terceiros como forma de pagamento, antecipando o recebimento do seu dinheiro com um desconto. O receptor acaba não respeitando o prazo e deposita o cheque. Nessas circunstâncias, o consumidor pode acabar descobrindo um cheque sem fundos na conta bancária quando já for tarde demais, ou seja, quando ele já foi reapresentado duas vezes e o seu nome foi incluído nas listas de inadimplentes. Quando isso acontece, o único jeito de limpar o nome na praça é reaver o cheque e quitar a dívida. Mas, se não puder localizar a pessoa que o depositou, não há o que fazer. O nome ficará sujo por cinco anos, impedindo a concessão de créditos, cheques e cartões. No cheque pré-datado, normalmente, constam o nome, telefone, CPF e RG do consumidor; muitas vezes também o endereço. Essas informações, em mãos erradas, dão subsídios para o planejamento de vários tipos de ações criminosas. Veja abaixo mais alguma recomendações dos especialistas em consumo para evitar a inadimplência. - Se o financiamento for inevitável, o consumidor deve observar o preço inicial do produto e calcular seu preço final. Ele deve procurar, ainda, a melhor taxa de juros, o menor número de prestações e lembrar-se: quanto mais parcelas, maior o valor pago na forma de juros e, conseqüentemente, maior o preço final do produto. - Algumas lojas fazem falsas ofertas, anunciando vender produtos em até 15 parcelas sem juros. Na verdade, estão embutindo os juros das prestações no pagamento à vista. A loja tem a obrigação de informar as taxas de juros para o consumidor. Muitas vezes o vendedor usa a tabela fornecida pelas financeiras e informa uma taxa inferior à realmente cobrada, o que é considerado propaganda enganosa pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC). É aconselhável comparar taxas cobradas por outras lojas. - A pesquisa de preços antes de ir às compras é essencial. O consumidor não deve ter vergonha de pechinchar. Deve-se ter em mente que no preço anunciado do produto, geralmente, já está embutido um desconto previsto pela loja. - O consumidor deve ter cuidado com os novos lançamentos e liquidações. Nem sempre eles possuem diferenças relevantes em relação ao produto vendido na coleção passada.

Agencia Estado,

10 de maio de 2002 | 16h32

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