''Dia de domingo, não uso gravata''

Lula brinca em meio a inaugurações

Tânia Monteiro, ACRA, O Estadao de S.Paulo

21 de abril de 2008 | 00h00

Ao som do jingle das campanhas eleitorais do PT - " Olê Olê Olá, Lula, Lula" -, os integrantes da escola de samba da comunidade Tabom, formada por descendentes ex-escravos que retornaram do Brasil no século 19, encerraram o desfile que fizeram para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na manhã de ontem. A letra da música não era cantada, apenas tocada em cornetas e acompanhada por batuques, até porque ninguém fala português na comunidade. A apresentação foi feita após a reinauguração da Brazil House, ou Casa Brasil, um projeto que contou com a intermediação do governo e custou US$ 100 mil, mas foi pago por duas empresas privadas brasileiras.Vestindo uma camisa azul, com desenhos de símbolos tradicionais da cultura ganense, comumente usada pelo povo africano, Lula conheceu a casa reformada e posou para foto ao lado do líder da comunidade Tabom, Amim Azumah, ao lado de um trono. Esta é a segunda vista à comunidade Tabom, que tem esse nome porque, quando seus descendentes ganharam a liberdade no Brasil e retornaram à África, somente sabiam falar português. Quando chegaram a Gana, usavam cumprimentos tradicionais no Brasil e sempre perguntavam aos ganenses "Como está?" e os ensinaram a responder "Está bom". Daí o nome da comunidade Tabom. Hoje, ninguém mais fala português.Depois da visita à Casa Brasil, o presidente foi inaugurar a sede da Embrapa. Lula começou seu discurso de improviso, e brincou com o fato de o presidente de Gana, John Kufuor, estar usando terno no calor de 35 graus sob o sol do meio-dia. "Vossa Excelência está percebendo que dia de domingo o presidente do Brasil não usa gravata. Sobretudo porque o calor de Gana é mais forte do que o calor mais forte do Brasil. Mas é exatamente envolvido por esse calor que eu queria dizer o meu sentimento neste momento", afirmou Lula, provocando risos em todos. Bem-humorado, o presidente de Gana respondeu que admirava Lula e se confessou um "escravo do protocolo" por ter de usar terno em cerimônias. "Receio que nós temos de sofrer com o protocolo", disse Kufuor, ao comentar que o presidente Lula "não se importava" com isso."Por isso gosto mais de você agora", respondeu. À tarde, no entanto, para a cerimônia de abertura da reunião da Unctad, conferência da ONU para comércio e desenvolvimento, Lula usou terno e gravata.

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