Dia de poucos negócios: dólar cai, mas fica acima de R$ 1,60

O mercado paulista não funcionou devido ao feriado pela Revolução Constitucionalista de 1932

Silvana Rocha, da Agência Estado,

09 de julho de 2008 | 16h33

O dólar comercial oscilou em baixa durante todo o dia e fechou na cotação mínima de R$ 1,608 (-0,34%). Os negócios foram reduzidos e realizados apenas nas praças fora do Estado de São Paulo, porque o mercado paulista não funcionou devido ao feriado pela Revolução Constitucionalista de 1932. Com a Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) e a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechadas, as mesas de câmbio de bancos e corretoras em São Paulo operaram em regime de plantão para atendimento a outras cidades do País. Os operadores dessas instituições seguiram atentos ao comportamento do mercado internacional, onde as bolsas e o petróleo continuaram oscilando e o dólar perdeu terreno também em relação ao euro e o iene. Mesmo com a queda, o dólar comercial manteve-se acima da marca de R$ 1,60 pela sétima sessão consecutiva deste mês. O volume financeiro movimentado no balcão restringiu-se a operações pontuais relacionadas ao fluxo cambial, segundo os operadores consultados. "Com os negócios esvaziados e a ausência da bolsa, que concentra a liquidez com os mercados de derivativos, não houve operações de oportunidade", disse um profissional, mas apenas ofertas de alguns exportadores e compras de importadores, especialmente. O Banco Central não fez o leilão diário de compra de dólares, o que também ajudou a diminuir o volume de negócios. "Como algumas das 17 instituições financeiras que são operadoras do BC não têm representação em praças fora de São Paulo, o BC não atuou uma vez que quando realiza esses leilões todos os dealers são obrigados a enviar proposta", explicou essa fonte. Sendo assim, o volume total movimentado no balcão caiu 81% ante o da véspera, para cerca de US$ 509 milhões (US$ 484 milhões em D+2). Mercado internacional No exterior, as principais bolsas européias subiram, recuperando parte das acentuadas perdas de terça-feira, sustentadas pelo desempenho mais forte do setor bancário, segundo informações da agência Dow Jones. Já os índices acionários em Wall Street seguiram oscilando, com demanda por papéis atrelados a commodities e recuo das ações nos setores de consumo, financeiro e tecnologia. Destaques de queda são as ações do Merrill Lynch e das agências governamentais de financiamento Fannie Mae e Freddie Mac. A informação no início da tarde de que a rede de varejo Steve & Barry's LLC entrou com pedido de concordata nos EUA também ajudou a piorar o humor. A Steve & Barry's disse que o pedido de concordata foi em decorrência de um número de fatores, incluindo o aperto de liquidez causado pela oscilação nos mercados de crédito e a fraqueza econômica geral, que tem afetado os planos de abertura de lojas da companhia e sua habilidade para tomar empréstimos. Em Nova York, às 16h15, o Índice Dow Jones recuava 1,29%; o Nasdaq perdia 1,66%; e o S&P500, -1,53%. O barril do petróleo em Nova York também oscilou muito, entre a mínima de US$ 136,00 (-0,03%) e a máxima de US$ 137,69 (+1,21%). No fechamento, o preço da commodity subiu 0,01%, a US$ 136,05 o barril. No mercado de moedas, o euro por volta das 16h20 subia 0,46%, a US$ 1,5736%, e o dólar perdia 0,54%, a 106,86 ienes. Segundo analistas ouvidos pela Dow Jones, um exercício com mísseis realizado pelo Irã alimentou a compra de euros e de petróleo, assim como os comentários sobre a inflação na zona do euro do presidente do Banco Central Europeu deram impulso adicional ao euro. O presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, mostrou preocupações com a inflação e com o euro. Ele disse que os preços ao consumidor devem registrar moderação apenas gradual no próximo ano. Em junho, a inflação na zona do euro atingiu a taxa anual de 4%, segundo estimativa preliminar da Eurostat, acima da meta do BCE de pouco abaixo de 2%. O BCE subiu o juro em 0,25 ponto porcentual na reunião de política monetária da semana passada, para conter as pressões inflacionárias, mas sinalizou que a instituição deverá manter as taxas daqui em diante.

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