Nelson Almeida/AFP
Nelson Almeida/AFP

Dia de protestos contra reformas tem baixa adesão

Manifestantes fecharam vias nas principais capitais; sindicatos já programam nova mobilização em Brasília

O Estado de S.Paulo

30 Junho 2017 | 21h23

O dia de mobilização contra as reformas trabalhista e previdenciária teve protestos nas maiores capitais, mas baixa adesão à greve. Manifestantes fecharam ruas e rodovias, causando congestionamentos. 

Em São Paulo, sindicatos se reuniram diante da Superintendência Regional do Trabalho, no centro, de manhã, e na Avenida Paulista, à tarde. Manifestantes caminharam pela Rodovia Hélio Smidt, de manhã, em direção ao Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos. Mesmo sem bloqueio total da pista, o trânsito ficou complicado para quem tentava chegar ou sair do aeroporto. Também houve protesto no Aeroporto de Congonhas.

O secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna, afirmou que a greve geral teve impactos menores na cidade por não ter contado com os trabalhadores do transporte. “A greve não fracassou. A espinha dorsal de uma greve maior em qualquer país são os trabalhadores do transporte.” Segundo o dirigente, representantes sindicais vão à Brasília na próxima semana para continuar as conversas com os congressistas sobre as reformas.

Para Douglas Izzo, presidente da CUT-SP, o movimento teve a participação esperada. “Não posso comentar a postura de outras centrais, é preciso levar em conta a dificuldade de algumas categorias pararem, mas não vamos especular sobre nada (sobre possíveis negociações com o governo Temer)”, disse. “O próximo passo será parar Brasília na semana que vem, para evitar essa reforma trabalhista.”

++ Veja como foi o dia de greve

À noite, os manifestantes que estavam na Paulista caminharam em direção à Prefeitura. Ao menos oito jovens foram presos pela Polícia Militar, que lançou pelo menos duas bombas de efeito moral. Os policiais não explicaram o motivo da detenção.

No Rio, transporte público e aeroportos funcionaram e bancos e agências dos correios fecharam. Houve bloqueios em vias importantes, como a Avenida Brasil e a Linha Vermelha, sem confrontos com a polícia. Nos acessos ao aeroporto Tom Jobim, a passagem de carros foi bloqueada. À noite, houve confusão durante protesto no centro. 

No Palácio Guanabara, sede do governo estadual, servidores e alunos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) participaram de uma aula pública, um protesto contra o governador Luiz Fernando Pezão e o presidente Temer. Os professores não receberam os vencimentos de abril nem maio, tampouco o 13.º salário de 2016.

Mais tradicionais cenários de protestos da capital federal, a Esplanada dos Ministérios e a Praça dos Três Poderes, em Brasília, amanheceram fechadas ontem pela Polícia Militar. A greve teve a adesão de metroviários, rodoviários, bancários e professores.

Em Salvador, manifestantes pararam a Avenida ACM, uma das mais importantes e movimentadas da cidade. Parte dos ônibus parou e a situação ficou ainda mais complicada por causa da chuva. Os organizadores falaram em cerca de 30 mil participantes. Pascoal Carneiro, da Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB), anunciou um evento bem maior em Brasília. “Nosso objetivo é intensificar as manifestações e, em breve, realizar um grande protesto em Brasília, o Ocupa Brasília.” / LUCIANA DYNIEWICZ, DOUGLAS GAVRAS, ROBERTA PENNAFORT, MARCO ANTÔNIO CARVALHO, LEONÊNCIO NOSSA, HELIANA FRAZÃO

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