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Luiz Carlos Trabuco Cappi
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Dia do livro celebra criatividade e as diversas formas de ler

Presentear amigos, parentes e filhos com um livro poderia se converter em hábito, tal a contribuição da leitura para inspirar uma sociedade melhor

Luiz Carlos Trabuco Cappi*,, O Estado de S. Paulo

25 de abril de 2022 | 04h00

O dia 23 de abril será sempre especial, pois simboliza o avanço civilizatório a partir do conhecimento, da inspiração e da divergência de ideias. É o Dia do Livro, comemorado no último sábado, 23. Nessa data, presentear amigos, parentes e filhos com um livro poderia se converter em hábito, tal a contribuição da leitura para inspirar uma sociedade melhor.

Tudo começou na Catalunha, em 1926, numa homenagem a Miguel de Cervantes, falecido em 23 de abril de 1616. Dom Quixote de La Mancha, sua obra-prima, é um marco do renascimento e da literatura universal, porque representa a invenção do romance. 

À época, destaca o escritor tcheco Milan Kundera, foi como rasgar uma cortina tecida de lendas, suspensa diante do mundo, que se abriu para o cavaleiro errante. Era um mundo maquiado, preestabelecido, que ele desnudou com sua picardia e prosa.

Em 1995, a data se tornou evento mundial pela Unesco. As formas de manifestação variam. As mais intensas são em Barcelona, onde autores de todo o mundo autografam suas obras, com leituras e palestras. Desde 2001, escolhe-se uma capital mundial do livro. Neste ano, é Guadalajara, no México. 

A história da humanidade mostra a evolução do seu formato. Há livros de argila, de pedra, de pele de carneiro, de papiro, antes de chegar ao modelo de papel, e, mais recentemente, os eletrônicos. Seja qual for o modelo, os livros têm capacidade única de nos entreter e instruir, nos mergulhar em outros mundos. A leitura amplia horizontes, estimula a criatividade e estabelece padrões para a tomada de decisões empresariais ou pessoais – nos dá suporte na busca de respostas para momentos desafiadores. 

Jorge Luis Borges, mestre argentino, afirmou: “Eu sempre imaginei o paraíso como um tipo de biblioteca”. A Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro é uma das dez maiores do mundo, com mais de 10 milhões de itens. Datada de 1808, teve seu início na reunião das 60 mil peças trazidas pela corte de D. João 6.º, entre livros, manuscritos, mapas, estampas, moedas e medalhas. Em São Paulo, a Biblioteca Mário de Andrade, de 1925, tem em seu acervo documentos e livros de todo o País.

Grandes feiras igualmente se destacam. A Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) faz parte do calendário global. Em julho, São Paulo abrirá as portas da Bienal Internacional do Livro, na sua 25.ª edição.

São momentos que celebram a liberdade, o engajamento em torno dos bons propósitos e o respeito aos valores democráticos. Como indicou Edmund Burke, filósofo irlandês e membro do Parlamento britânico, um povo que não conhece a sua história está condenado a repeti-la.

* PRESIDENTE DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DO BRADESCO. ESCREVE A CADA DUAS SEMANAS

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