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Dia dos Namorados é só de presentes?

Algo muito positivo para o casal de namorados é a construção de objetivos de vida conjuntos, estabelecendo as suas metas para o futuro – conhecer o pensar do outro gera intimidade

Fábio Gallo, O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2021 | 04h00

O Dia dos Namorados é um dia dedicado à celebração do amor. Platão, no seu diálogo “O Banquete”, associa o Amor ao anseio do humano pela imortalidade. Uma das coisas mais bonitas sobre o amor é o fato que este é sempre relacional, pois somente existe da relação entre pessoas. Entre irmãos, namorados, pais e filhos, entre Deus e a humanidade. Amor nasce da relação entre seres, não é algo mesquinho, de posse, individual mas sim, sempre, em relação a outro.

Que se espelha, que se reproduz, assim, também, por adesão. Ao redor do mundo o Dia dos Namorados é comemorado em 14 de fevereiro porque é o dia de São Valentim, que foi condenado à morte por contrariar a ordem do imperador Romano Claudius II para não realizar casamentos. No Brasil, o 12 de junho foi instituído por ser a véspera do dia de Santo Antônio, que ganhou a fama de “santo casamenteiro”. 

Aqui e ao redor do mundo a tradição é que os casais troquem presentes, algo bom e que busca mostrar ao outro a existência da relação. Mas isso não pode ter a intenção de mostrar o quanto se ama, isto seria impossível. Assim, um primeiro pensar nessa ocasião é em presentear de forma consciente que traga bem-estar, de acordo com a nossa condição financeira.

Algo que pode ajudar nesse momento é combinar o tipo de presente a ser trocado, para deixar os dois mais à vontade com os gastos. Você também pode ser criativo. Saiba agradar o outro com o que ele gosta, atender o seu desejo. Pode ser fazer algo em vez de comprar. Um gesto, uma canção, uma dança, uma foto, um poema, um olhar, mas mostre o seu amor pelo outro, não o esconda.

A perspectiva financeira também entra na vida a dois. Conversar sobre as finanças do casal faz parte. Um dos mais constantes motivos de separações é a infidelidade financeira. Essa conversa pode iniciar pela divisão de contas.

Não há uma regra prévia de como isso pode ser feito. Uma forma que gera menos atritos é dividir conforme o nível de ganhos de cada um: quem ganha mais, paga uma parte maior das despesas. A vida financeira saudável na relação a dois começa por ambos conhecerem os gastos e receitas de cada um. 

Para preservar a individualidade e evitar brigas, o casal pode estabelecer uma verba para cada um gastar com suas coisas, no que gosta, sem questionamentos. Algo muito positivo para o casal de namorados é a construção de objetivos de vida conjuntos, estabelecendo as suas metas para o futuro – conhecer o pensar do outro gera intimidade. 

A construção das finanças do casal, decidir sobre quando, como e as formas de poupar para poderem conquistar essas metas pode aumentar ainda mais a união entre ambos. Sonhar a dois, construir sonhos conjuntos ajuda a firmar amor na vida de ambos. Lembrando os versos do poeta maluco beleza, Raul Seixas: “Sonho que se sonha só. É só um sonho que se sonha só. Mas, sonho que se sonha junto é realidade”.

* PROFESSOR DE FINANÇAS DA FGV-SP

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