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Diagnóstico pelo smartphone

Condições que vão de uma dor de garganta chata a um ataque cardíaco poderão ser avaliadas pelo telefone

The Economist, O Estado de S. Paulo

23 de março de 2015 | 03h00

Estudos indicam que um em cada cinco americanos usa aplicativos de saúde em seus smartphones. Alguns desses apps também podem ser conectados a sensores fixados no corpo da pessoa para monitorar sinais vitais, como o batimento cardíaco de um corredor. Outros auxiliam na elaboração de diagnósticos, usando a câmera do telefone, por exemplo, para analisar a coloração assumida por uma fita teste após sua imersão na amostra colhida pelo usuário-paciente.

Começam também a aparecer plug-ins que possibilitam aos celulares realizar análises biológicas. Dois dos mais recentes desses dispositivos detectam a exposição ao HIV, o vírus que causa a AIDS, e diagnosticam outras enfermidades.

Samuel Sia e seus colegas da Columbia University, em Nova York, miniaturizaram um exame de sangue denominado ELISA (sigla em inglês para teste de imunoabsorção enzimática), normalmente realizado em laboratório. Esse exame detecta a presença de marcadores biológicos, tais como anticorpos produzidos por conta de uma infecção. Uma amostra de sangue colhida a partir de uma alfinetada no dedo é colocada num cartucho de plástico descartável, contendo os reagentes necessários para o exame. O cartucho é inserido no dispositivo de teste, que é pequeno o bastante para caber na mão do usuário e contém o que vem sendo chamado de “laboratório-no-chip”. O dispositivo é então conectado ao celular, um aplicativo administra o teste e, 15 minutos depois, a tela do celular exibe um resultado negativo ou positivo.

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Recentemente, o aparelho foi testado por profissionais da saúde em grávidas ruandesas. A partir de uma única amostra de sangue, cada uma delas foi submetida a exames de HIV e sífilis. Os resultados foram animadores, e a equipe de Sia agora estuda como fazer para pôr no mercado esse microlaboratório para smartphones. Sia calcula que o custo de fabricação do dispositivo ficará em torno de US$ 35. As máquinas que realizam o ELISA em laboratório às vezes saem por mais de US$ 18 mil.

A outra ideia vem da Descue Medical, uma startup de Salt Lake City, criada pelos irmãos Christopher e Andrew Pagels. Os dois, ambos estudantes de engenharia biomédica, conceberam um produto chamado iTest e esperam estar com seu primeiro kit de exames à venda em 2016, depois de receber a aprovação da FDA (a agência responsável pela regulamentação de produtos farmacêuticos nos Estados Unidos). O dispositivo diagnostica faringites causadas pela bactéria Streptococcus pyogenes, que precisam ser tratadas com antibióticos. Trata-se de uma infecção que afeta principalmente crianças e adolescentes, podendo trazer complicações, como rins inflamados e febre reumática.

O kit inclui um cotonete que deve ser posto em contato com uma área inflamada da garganta. Em seguida, esse cotonete é introduzido num frasco com um líquido que transforma a amostra em solução. O frasco então é acoplado ao dispositivo iTest, que por sua vez é conectado a um aparelho celular. Os irmãos Pagels dizem que o dispositivo utiliza uma técnica chamada voltametria, que mede a corrente presente em uma amostra como função da voltagem aplicada a ela. Exames rápidos para diagnosticar infecções causadas por Streptococcus pyogenes não são novidade, mas em geral exigem que o usuário misture soluções e observe a ocorrência de uma reação visível.

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Mas as ambições dos Pagels vão muito além desse diagnóstico de faringite. A ideia deles é oferecer diversos kits, que poderão ser utilizados com o mesmo dispositivo iTest a fim de diagnosticar uma série de enfermidades, diz Andrew Pagels. Os dois irmãos dizem que já desenvolveram exames de HIV e SARM - uma infecção bacteriana de difícil tratamento - e estão trabalhando em exames de gripe e de doenças sexualmente transmissíveis, assim como num exame combinado de dengue e malária. Em seus planos, há também um teste que permitiria a detectar a troponina pelo smartphone. Níveis elevados dessa proteína no sangue confirmam que a pessoa sofreu um ataque cardíaco. Os Pagels estimam que o dispositivo iTest será comercializado por cerca de US$ 150, mas esse preço não inclui os kits de exames, que devem ser adquiridos à parte.Ao oferecer diagnósticos de padrão laboratorial para qualquer pessoa com acesso a um smartphone, esses dispositivos devem ser particularmente úteis em regiões isoladas, com escassez de recursos. Os hipocondríacos, porém, terão uma razão a mais para não desgrudar de seus celulares.

© 2015 THE ECONOMIST NEWSPAPER LIMITED. DIREITOS RESERVADOS. TRADUZIDO POR ALEXANDRE HUBNER, PUBLICADO SOB LICENÇA. O TEXTO ORIGINAL EM INGLÊS ESTÁ EM WWW.ECONOMIST.COM.

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