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Diante das incertezas, a opção pela prudência

Alguns dados positivos divulgados nos últimos dias devem ser analisados com reservas, pois podem não se repetir ao longo do ano. A demanda de crédito por consumidores paulistanos, por exemplo, aumentou 5,4% em janeiro (até o dia 21), em relação a dezembro, depois de três meses consecutivos de queda, como revela a Pesquisa de Risco e Intenção de Endividamento (Prie), da Fecomercio-SP.

O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2015 | 02h05

A alta parece ser sazonal e pode ser atribuída, em boa parte, aos grandes descontos oferecidos pelo comércio varejista. Outro fator que pode explicá-la é o acúmulo de despesas das famílias no início do ano, como a compra de material escolar, muitas vezes com pagamento parcelado em cartões de crédito.

O consumidor denota, porém, mais cautela, pois sua disposição de tomar empréstimos recuou 15,9%, em comparação com janeiro de 2014. É indício de forte redução do crédito ao consumidor no ano.

Será um ano de dificuldades. Despesas mensais inevitáveis aumentarão, como as contas de luz e de água e os gastos com transporte. Diversos produtos também ficarão mais caros, como os importados, por causa do aumento de 9,25% para 11,75% da alíquota do PIS/Cofins.

Se já vinham evitando endividar-se, os consumidores terão mais motivos para isso, tanto mais levando em conta, além da alta dos juros, o aumento do IOF de 1,5% para 3% ao ano para operações de crédito a pessoas físicas. Essa tributação se somou à de 0,38% que incide na abertura das operações de crédito.

A medida encarece tanto o financiamento de compras como as operações com cheque especial, o uso do rotativo de cartões de crédito e as operações de crédito pessoal.

Significativamente, a Prie apresentou retração de 5,2% em janeiro, em confronto com dezembro, no item Segurança de Crédito, que mede a proporção de consumidores, endividados ou não, que têm recursos aplicados no mercado financeiro, aos quais podem recorrer em caso de aperto. Os consumidores não endividados apresentaram redução de 8,9%, refletindo a retirada de aplicações para poder arcar com gastos imprevistos. Já entre os endividados, a redução foi bem menor, de 3,3%.

Houve também um apreciável aumento nos investimentos em previdência privada, que passaram de 6,4% em dezembro para 7,5% em janeiro. As medidas recentes do governo aumentaram as incertezas. Na dúvida, os consumidores parecem ter optado pela prudência.

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