Daniel Leal-Olivas|AFP
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Juros

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Mercados internacionais têm dia de ganhos após acordo entre China e Opep

País asiático e organização querem estabilizar o mercado de petróleo; Bolsas da Ásia fecharam sem sinal único, frente aos temores com o coronavírus

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2020 | 06h53
Atualizado 20 de maio de 2020 | 21h34

As Bolsas da Europa e de Nova York tiveram um dia de ganhos nesta quarta-feira, 20, após a sinalização positiva da Opep e da China para o mercado do petróleoNa Ásia e Oceania os ganhos foram contidos e ecoaram em parte, a preocupação de que a possível vacina contra o coronavírus talvez não seja tão eficaz.

O anúncio do acordo entre a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e a China faz parte de um esforço mundial para tentar estabilizar a indústria do petróleo, impactada por preços cada vez mais baixos. Eles também se comprometeram a discutir formas de reequilibrar a oferta e demanda da commodity.

Porém, em alguns mercados, ainda ecoou a informação de que a provável vacina contra o coronavírus descoberta pela empresa de biotecnologia e também farmacêutica Moderna Therapeutics na última segunda-feira, 18, pode não ser tão eficaz. A incerteza surgiu após o site americano Stat News, especializado em saúde, apontar que uma série de especialistas contestam os resultados promissores apresentados pelo laboratório. 

Ásia e Oceania

Na Ásia, a Coreia do Sul informou que pretende criar um instrumento com recursos equivalentes a mais de US$ 8 bilhões para comprar dívidas corporativas de alto risco. Já o PBoC, o Banco Central da China, optou por deixar seus juros de referência para empréstimos nos níveis atuais, em clima de cautela antes da reunião anual do legislativo chinês, que começa na sexta-feira, 22.

Porém, sem serem beneficiadas por muito tempo pelo acordo entre China e Opep, as Bolsas da Ásia fecharam sem sinal único. O japonês Nikkei subiu 0,79% em Tóquio, enquanto o sul-coreano Kospi avançou 0,46% em Seul. Na China continental, o Xangai Composto caiu 0,51% e o menos abrangente Shenzhen Composto recuou 0,97%, a 1.805,86 pontos. O Hang Seng registrou alta marginal de 0,05% em Hong Kong e o Taiex subiu 0,44% em Taiwan. Na Oceania, o S&P/ASX 200 avançou 0,24% em Sydney.

Bolsas da Europa

No Reino Unido, repercutiram as declarações do presidente do Banco da Inglaterra (BoE)Andrew Bailey, e de dirigentes da instituição, em audiência virtual ao Parlamento britânico. Na sessão, Bailey não descartou a possibilidade de a autoridade monetária adotar juros negativos e de comprar ativos de risco. Em resposta, o índice Stoxx 600 encerrou com ganho de 0,98%.

Notícias negativas ainda circularam pela zona do euro nesta quarta. O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 0,3% na comparação anual de abril, desacelerando significativamente em relação ao aumento de 0,7% observado em março.

Porém, a possível estabilidade do mercado de petróleo favoreceu os índices europeu. Em Londres, o FTSE 100 avançou 1,08% e em Paris, o CAC 40 subiu 0,87%. Na Bolsa de Frankfurt, o DAX ganhou 1,34%. O FTSE MIB de Milão, o Ibex 35 de Madri e PSI 20 de Lisboa subiram 1,05%, 1,13% e 1,00%, respectivamente. 

Bolsas de Nova York

As pequenas incertezas do mercado americano nesta quarta, se devem a ata divulgada pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano), que mostrou um receio dos dirigentes de que o processo de reabertura econômica possa causar novas ondas de contaminações do coronavírusPorém, apesar das preocupações, a entidade monetária disse que pode ajudar ainda mais a conter os impactos da crise, caso seja necessário.

Apesar dos temores, o dia foi positivo para as Bolsas de Nova YorkDow Jones fechou em alta de 1,52%, o Nasdaq subiu 2,08% e o S&P 500 avançou 1,67%. Entre os ganhos de NY, estão Bank of America, com 3,15%, Boeing com 2,21% e Alphabet, com 2,53%. 

Porém, com as declarações do Fed, os Treasuries ficaram sem sentido único em NY. No final da tarde, o juro da T-note de 2 anos subia a 0,165%, o da T-note de 10 anos recuava a 0,679% e o do T-bond de 30 anos tinha queda a 1,403%. 

Petróleo

A commodity foi amplamente favorecida pelo acordo entre a Opep e a China e teve resultados positivos nas principais Bolsas do mundo. Em Londres, a petroleira BP fechou com ganho de 1,40% e em Nova YorkChevron e ExxonMobil avançaram 3,78% e 3,25% cada.

Nesse cenário, o WTI para julho, referência no mercado americano, fechou em alta 4,79%, a US$ 33,49 o barril. Já o Brent para o mesmo mês, referência no mercado europeu, avançou 3,17%, a US$ 35,75 o barril./LUÍSA LAVAL, ANDRÉ MARINHO, GABRIEL BUENO DA COSTA E MAIARA SANTIAGO.

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