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Dias cruciais

Os próximos dias serão decisivos para definir o que será a política econômica no resto de 2016 e nos próximos dois anos

Celso Ming, O Estado de S. Paulo

11 de abril de 2016 | 21h00

Para os próximos 20 dias não estão agendados fatos econômicos de grande envergadura e, no entanto, serão dias decisivos para definir o que será a política econômica no resto de 2016 e nos próximos dois anos.

Serão dias cruciais para a formatação do jogo político deste país. Se a presidente Dilma sobreviver ao processo de impeachment, tentará refundar seu governo em novas bases. Mas é improvável que, nessas condições, tenha legitimidade suficiente para unir o Brasil. Sem apoio, sua política econômica será o que puder ser, fraca e informe o suficiente para evitar a deterioração do setor produtivo e do mercado de trabalho.

Porque sabem que a deterioração das condições da economia tende a produzir estragos incomensuráveis nos seus redutos eleitorais, tanto o PT como, mais particularmente, o ex-presidente Lula parecem mais propensos a defender eleições gerais. Esta pode não ser uma agenda defensável para os interesses do País e parece desproposital contar com que os políticos aceitem o encurtamento dos seus mandatos. Além disso, eleições gerais sem reforma política anterior podem produzir novos desastres. Em todo o caso, essa nova proposta parece mostrar como o PT teme o day after, mesmo que se cumpra seu objetivo imediato, que é evitar o impeachment.

Todos os dias, certos analistas políticos consideram a hipótese de que o ex-presidente Lula, uma vez integrado ao ministério, poderia, na prática, conduzir ele próprio o governo Dilma, com uma política econômica mais confiável e com propostas mais realistas de reforma de base.

Mas ainda está para se ver se o Supremo não se oporá à nomeação de Lula ao cargo de ministro, questão que pode ser decidida pelo Plenário até o dia 20, o que lhe tiraria o foro privilegiado perante a Justiça. E, mesmo se não se opuser, parece improvável que o ex-presidente Lula se decida por uma política econômica mais ortodoxa, o que contrariaria frontalmente o programa do PT, que pretende o retorno à Nova Matriz Macroeconômica, com derrubada imediata dos juros, queima de reservas e aumento das despesas públicas.

O cenário de incertezas não seria eliminado se o Congresso aprovasse o impeachment. É ilusória a sensação de que muita coisa se resolveria como sugere o comportamento do câmbio (veja o gráfico acima) e outros segmentos do mercado financeiro.

Antes será necessário saber se o governo que daí proviesse seria capaz de unificar o País e formar um ministério de ampla aceitação nacional. E, depois, será preciso ver até que ponto o novo chefe de governo estaria imunizado contra novas incursões da Operação Lava Jato ou de futuras decisões do Tribunal Superior Eleitoral.

No entanto, já no próximo dia 17 saberemos se o impeachment passou ou não na Câmara e quais serão os próximos passos. É uma situação que ainda não apontaria para a política econômica a ser adotada em seguida. Mas, pelo menos, algumas portas já terão se fechado e uma etapa da dolorosa travessia terá sido percorrida. E isso não é pouco.

CONFIRA:

O mercado está mais otimista em relação à trajetória da inflação, como se pode ver pela evolução das projeções levantadas pelo Banco Central por meio da pesquisa Focus, feita semanalmente. Em contrapartida, está bem mais pessimista em relação ao resultado do PIB deste ano.

Balança Comercial

Nos seis primeiros dias úteis de abril (duas primeiras semanas), a balança comercial apresentou superávit (exportações menos importações) de US$ 1,6 bilhão. É um desempenho expressivo, que vai confirmando os bons prognósticos para todo este ano.

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