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Dicas para aproveitar melhor o curso no exterior

Especialistas na área pedagógica e de intercâmbio são unânimes: nível básico tem um aproveitamento bem abaixo das expectativas em um curso entre duas e quatro semanas no exterior. É recomendável ter uma carga horária mínima. Para o diretor do Instituto Goethe, em São Paulo, Georg Dietrich, o ideal seria ter estudado no País de origem entre 350 e 450 horas e cursar na Alemanha mais 180 horas. Ou seja, estar no nível intermediário antes de viajar. Para o aprendizado do inglês, Francisco Ferreira, diretor de pesquisa e desenvolvimento do Yázigi Internexus, afirma que entre 100 e 150 horas já são suficientes. Uma vez decidido a viajar, a carga horária depende do perfil do aluno. Se for para fazer turismo e estudar nas horas livres, 15 horas semanais costuma ser o pacote indicado. Se deseja aliar os dois, deve escolher o curso de 20 horas semanais que é realizado em apenas um período do dia: manhã ou tarde. Assim, ainda tem tempo para visitar pontos turísticos da cidade onde se encontra. Mas se pretende apenas estudar, deve optar por um pacote acima de 25 horas semanais. Estas diferenças de pacote também devem se adequar ao bolso do cliente. Muitas vezes, o preço acaba sendo o fator decisivo e não a urgência em estudar um idioma no país onde é falado.A gerente de marketing da Cultura Inglesa, que mantém parceria com a Student Travel Bureau (STB), Christina Thorton, lamenta a postura dos alunos que procuram os cursos no exterior. "É muito oba-oba. A maioria dos jovens vai pela excitação, pela bagunça, e não para estudar. E as promoções insistem neste atrativo. Tem mais diversão do que aula. Como estamos há 15 anos no mercado, temos experiência e podemos avaliar que há dez anos não era assim." Ela também concorda com uma carga horária mínima para um melhor aproveitamento do curso. "Na Cultura Inglesa, isto representa dois anos de curso e 200 horas de aula."Casa de família ou residência estudantilEla afirma também que ao escolher a acomodação, o melhor é ficar em casa de família pelo contato maior com o idioma e a cultura do país. "Deve-se buscar uma escola que apresenta famílias idôneas e que respeite o perfil do aluno. Se ele não gosta de cigarros, por exemplo, não poderia ficar numa família de fumantes. A mesma coisa se detesta animais de estimação como gatos ou cachorros. Há aqueles que preferem adultos de nível universitário sem filhos e outros que exigem a presença de crianças, com quem podem aprender também." Esta espécie de triagem, segundo Christina, pode ser feita com a ajuda de um simples questionário. O diretor do Instituto Goethe também vê vantagens em ficar em uma residência estudantil por causa do contato com estudantes do mundo inteiro, contanto que a língua em comum seja o do país onde se está hospedado. Francisco Ferreira, do Yázigi Internexus, também alerta para o risco de se ficar falando outro idioma que não aquele escolhido como objeto de estudo. "Viajar ou encontrar durante a viagem pessoas do mesmo país e idioma pode ser positivo do ponto de vista do choque cultural que pode ser amortecido. Mas, do ponto de vista lingüístico, é péssimo. Portanto, melhor evitar um companheiro de quarto que fale português."Fatores importantes antes de contratar o curso no exteriorO mais importante, na opinião do diretor do Instituto Goethe, Georg Dietrich, é a formação dos professores. O estudante deve verificar junto à agência se o corpo docente possui título universitário, que tipo de diploma a escola exige para a contratação, qual o treinamento oferecido pela escola e quanto tempo dura. Também é necessário informar-se, segundo ele, sobre os recursos de ensino. Ou seja, se há medioteca, laboratório e biblioteca. "Considero estes recursos importantes não só como atividade extra-classe, mas também como meio de tornar a aula mais dinâmica."A gerente de marketing da Cultura Inglesa, Christina Thorton, também julga importante não recorrer apenas aos folhetos explicativos do curso e ao preço como fatores de escolha. "Deve-se pedir à agência telefones de contato dos alunos que já foram para poder tirar dúvidas e investigar melhor as condições de viagem e aprendizado." Segundo ela, outro ponto deve ser colocado na balança antes de fechar contrato: saber se a agência ou a escola fornecem suporte ao aluno durante sua estadia. "Pedir telefones de contato no exterior, com quem falar e que tipos de problemas a pessoa responsável poderá resolver."Georg Dietrich também alerta para a importância do aluno ter por escrito um descritivo completo de tudo o que está incluso no valor a ser pago, como material didático, atividades extra-classe, carga horária etc. Normalmente, a passagem aérea e o seguro saúde não fazem parte do pacote. A questão da alimentação varia de instituição para instituição. Na maioria das vezes, o aluno tem direito a duas refeições. Mas a taxa de serviço é cobrada por todas (ver no link abaixo alguns pacotes de agência e o valor das taxas). Segundo ele, um bom curso acaba saindo mais caro, mas deve-se atentar para promoções em que são cobrados muitos itens à parte. Taxas, material e recursos extras já devem estar no preço.Choque cultural e climático pode ser minimizadoAo chegar a um país estrangeiro, a adaptação do estudante varia em torno de uma semana e no máximo duas., embora Francisco Ferreira, da Yázigi Internexus, afirme que esta adaptação possa levar mais tempo. Por isso, ele considera primordial contratar uma agência que forneça apoio lá fora. "Pode haver problemas entre o aluno e a família que o acolhe. Ele precisa ter a quem recorrer, senão sua experiência será frustrante e não aproveitará o curso." Ele acrescenta que os marinheiros de primeira viagem estranham ainda mais os hábitos de uma família estrangeira e, se tiver muitos problemas e ninguém para resolvê-los, não conseguirá otimizar a viagem.Para amenizar o choque cultural, Christina Thorton, da Cultura Inglesa, aconselha fazer um preparo antes da viagem. Saber mais sobre o país a ser visitado ajuda bastante. Ela considera importantes as reuniões pré-viagem realizadas pela agência. Assim, é possível ter uma prévia dos hábitos e costumes do lugar. Outra coisa que pode ajudar no entrosamento é saber mais sobre o seu próprio país. "As pessoas, em geral, são muito curiosas sobre o Brasil", afirma Francisco Ferreira.Para brasileiros acostumados ao clima tropical, um conselho de Georg Dietrich é evitar fazer o curso durante o período de inverno. "Mesmo no caso de quatro semanas, o que significa um período curto, as pessoas são muito sensíveis ao clima frio." Atividades extracurriculares também podem ajudar a espantar a solidão. Segundo ele, o estudante deve buscar eventos e passeios do seu interesse pessoal e profissional. "Pode visitar empresas, universidades e saber como as coisas funcionam e, se tiver interesse pela vida cotidiana do lugar, ficar em casa de família.Motivação aumenta após a viagemTodos os especialistas em cursos no exterior são unânimes em dizer que quanto mais tempo o estudante puder ficar, melhor. A motivação quando os alunos voltam fica evidente. E a maioria acaba fazendo uma nova viagem. Muitas vezes para passar um período maior ou para aprender um outro idioma em um outro país. "Aumenta a motivação para estudar porque, uma vez lá fora, o aluno quando volta percebe o que lhe falta. Ele sempre acha que poderia ter se expressado melhor ou que seu nível do idioma não está suficiente", afirma Christina Thorton.Para Georg Dietrich, os resultados não se restringem apenas ao aprendizado do idioma. Há outros contextos que desenvolve, como pessoal e cultural. "Depois da viagem, o estudante adquire uma visão maior da própria cultura e do próprio país porque tem mais condições de avaliar as próprias referências", finaliza.

Agencia Estado,

28 de junho de 2001 | 14h53

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