Dicas para evitar problemas ao comprar móveis

Os órgãos de defesa do consumidor dão dicas para facilitar a aquisição dos móveis. A primeira medida sugerida pela assistente de Direção da Fundação Procon-SP ? órgão de defesa do consumidor ligado ao governo estadual ?, Sônia Amaro, é avaliar se o produto atende às necessidades. "É preciso verificar a metragem e estar seguro de que o móvel caberá no local onde se quer colocá-lo."Por isso, para evitar problemas futuramente, no pedido deve constar a descrição exata do produto. "O consumidor não deve aceitar apenas uma codificação", alerta Sônia. É fundamental que a data de entrega também conste no documento. "O prazo de entrega é uma das principais reclamações registradas contra lojas de móveis no Procon-SP", diz a assistente de Direção. De janeiro a novembro do ano passado, a fundação recebeu 589 reclamações sobre problemas de não entrega do produto ou demora. Esse número é superado pelas reclamações referentes a danos ou defeitos, com 1.105 registros. Entrega de produtos diferentes do pedido vem em terceiro lugar, com 321 reclamações. O setor de móveis foi vice-líder do ranking do Procon em reclamações, entre janeiro e novembro de 2001, com 2.660 ocorrências - perdendo apenas para o setor de telefonia. Entre consultas e reclamações, ficou em terceiro lugar, somando 13.209 atendimentos. O primeiro da lista do órgão de defesa do consumidor continua sendo o setor de telefonia e, em segundo, bancos e instituições financeiras. Consumidor tem 90 dias para reclamarCom relação à forma de pagamento, Sônia explica que o comprador deve analisar se está disposto a contratar os serviços de uma financeira, oferecidos por muitas lojas. "É preciso estar atento aos juros. Se o consumidor optar pelo financiamento, a loja é obrigada a informar a taxa de juros, o valor exato das parcelas, o valor total e o preço à vista." No momento da entrega, o comprador deve estar presente para verificar as condições do produto. "Em caso de problemas, não se deve aceitar a mercadoria", afirma. Nessa hipótese, é preciso anotar no pedido o motivo da recusa e contatar imediatamente a loja. Móveis são bens duráveis, o que dá ao consumidor um prazo de 90 dias para apresentar a reclamação. Recomenda-se que ele o faça por escrito. A partir da data da reclamação, a loja dispõe de 30 dias para solucionar o problema. "Se isso não ocorrer, o comprador poderá registrar reclamação no Procon", lembra Sônia. Medidas antes de fechar o negócioO coordenador de Atendimento do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Marcos Diegues, fornece um resumo de medidas preventivas no momento da compra. "Em primeiro lugar, o consumidor deve obter informações sobre a loja em que vai fazer as compras, saber se está estabelecida há bastante tempo e buscar referências com quem já tenha feito compras no local." O segundo passo seria com relação ao móvel em si. "O comprador não deve confiar em panfletos. É preciso checar o móvel pessoalmente e evitar aqueles de mostruário, que podem vir com defeitos." Na hora do pagamento, Diegues compartilha da opinião da técnica do Procon. "O fabricante é obrigado a informar o preço à vista e a prazo", comenta. "Se o pagamento for feito com cheques pré-datados, é recomendável que conste no pedido quantos cheques, quais seus números e a data de depósito." Compra em feira de móveisPara móveis comprados em feiras itinerantes, a principal recomendação é verificar se a loja tem representantes na cidade onde reside o consumidor, já que desse tipo de evento participam fabricantes de diversas cidades e Estados. Outra dica é conferir se a loja garante assistência técnica na cidade, caso o endereço comercial fique em outra localidade. Toda a negociação deve estar documentada com pedido do produto e nota fiscal. Para Diegues, a vantagem de comprar em feiras é o prazo de arrependimento a que o cliente tem direito. "A lei garante sete dias para que ele se arrependa e desfaça o negócio sem a necessidade de dar justificativa." Os móveis feitos sob encomenda por marceneiros também podem dar dor de cabeça (veja mais detalhes na matéria do link abaixo). "São os que mais dão problema com relação ao prazo de entrega." Por isso, no ato da contratação do serviço, é sempre bom ter referências do profissional. Além disso, formular um contrato simples também é uma medida importante, embora muitas vezes dispensada por ambas as partes. "Basta constar prazo de entrega, tipo de material utilizado e forma de pagamento", orienta Diegues. Vale também a recomendação de não pagar o valor total do serviço de imediato. O ideal é pagar metade antes da execução e o restante depois que a encomenda for entregue.

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