Dieese admite ligeira melhora do quadro econômico na inflação

A alta da inflação medida pelo Índice do Custo de Vida (ICV) do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) em maio resulta de uma combinação de fatores que já traz como um ingrediente novo uma melhora, ainda que incipiente, da demanda, admite timidamente a coordenadora do índice, Cornélia Nogueira Porto.O ICV fechou o mês passado mostrando uma alta de 0,43%. Isto representa uma aceleração de 0,37 ponto porcentual sobre a taxa de 0,06% registrada em abril. A elevação da inflação acabou surpreendendo a coordenadora do Dieese, que esperava com um índice de 0,10% em maio."Não esperava uma alta desta, mas ocorreu um reajuste quase que generalizado dentro do ICV", afirma Cornélia. Ela destacou os aumentos dos produtos in natura e semi-elaborados (0,70%), indústria da alimentação (0,31%). O açúcar, com aumento de 8,76% foi um dos destaques entre os alimentos industrializados. O Habitação (0,43%) foi significativamente influenciado pelo aumento dos serviços domésticos (2,56%) em decorrência do reajuste dos salários das empregadas. Outra pressão sobre o ICV veio do grupo Transportes (0,56%) que reflete o aumento do álcool combustível (4,78%)."Pode estar ocorrendo alguma melhora da demanda, mas não o suficiente para justificar o aumento da inflação. Temos ainda alguma inflação de oferta e de preços administrados", afirma Cornélia, que já admite entre os componentes responsáveis pela inflação alguma melhora na demanda.Na verdade, explica a coordenadora, é uma combinação de fatores, que envolve algum repasse do aumento das commodities, como o aço, no começo do ano, preços administrados e uma ligeira melhora do quadro econômico geral, confirmado pelo aumento de empregos e massa salarial e vendas do comércio.

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