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Dieese apoia governo em debate de juros bancários

O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) divulgou ontem uma nota técnica que analisa o spread bancário e os juros cobrados pelas instituições financeiras no País. Uma das conclusões é a de que o alto custo do dinheiro se explica pela oligopolização do setor bancário.

LEANDRO MODÉ, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2012 | 03h06

Por isso, defende a entidade, "a iniciativa recente do governo para reduzir os juros cobrados nos bancos públicos, ainda que seja uma ação pontual, tem papel central no estímulo à atividade econômica ao forçar a queda das taxas de juros e dos spreads nos bancos privados".

"Diante desse cenário, uma alternativa que possibilitaria a quebra relativa da lógica oligopolista que vigora no mercado bancário brasileiro seria a atuação mais incisiva dos bancos públicos, principalmente Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal", afirma a entidade.

O texto do Dieese resgata alguns estudos do Banco Central (BC) e do Fundo Monetário Internacional (FMI). Com base nesses levantamentos, o Dieese elaborou um ranking que mostra o Brasil na liderança do spread bancário.

Aqui, a diferença entre a taxa de juro que o banco paga ao captar dinheiro e a que cobra ao emprestá-lo é de 27,8 pontos porcentuais. A seguir, vem o spread do Paraguai, com 26,9 pontos. Em terceiro lugar está o Peru, com 16,39, em quarto a Bolívia, com 9,61 pontos, e em quinto a Colômbia, com 7,37 pontos.

O Dieese lista os cinco fatores nos quais o spread é comumente fracionado: custos administrativos do bancos; inadimplência; taxas, impostos e contribuições; impostos diretos; e margem líquida, erros e omissões.

Em relação ao último fator - que também é o foco do governo na discussão -, o Dieese afirma que "há espaço para redução da margem líquida". Na avaliação da entidade, a redução dessas margens "não implica necessariamente a redução do lucro, mas em ganhos de escala, com maior volume de crédito e menor spread".

Esse é justamente o argumento dos principais bancos de varejo para justificar a razão pela qual acreditam que as margens de lucro não devem cair apesar da diminuição dos juros cobrados de pessoas físicas e empresas. Banco do Brasil, Itaú e Bradesco têm argumentado que o custo unitário menor do financiamento será compensado pelo maior volume.

O desafio é elevar as concessões em um ambiente de alta da inadimplência. Ontem, por exemplo, o Itaú informou que o lucro líquido no primeiro trimestre caiu 2,9% em relação a igual período de 2011 por causa do aumento do calote.

Em relação a esse tema - que é o foco dos bancos na discussão com o governo -, o Dieese observa que "muitos clientes dos bancos estão inadimplentes pelo fato de que, como as taxas de juros e spreads são reconhecidamente abusivos, muitos passam a enfrentar dificuldades na quitação das dívidas".

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