Dieese espera negociações salariais melhores em 2002

O coordenador técnico do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), Wilson Amorim, acredita que as negociações salariais deste ano serão um pouco melhores que as do ano passado para os trabalhadores, quando 64% das categorias conseguiram reajustes acima da inflação medida pelo INPC, de 9,24% nos 12 meses de dezembro de 2000 a novembro de 2001. "As categorias que têm data-base no primeiro semestre devem enfrentar ainda um pouco de dificuldade, porque a economia começou o ano devagar e vai melhorar depois, no segundo semestre. Os resultados de 2002 provavelmente serão melhores que os do ano passado porque a inflação deve cair e o crescimento do PIB será maior, de 2,5% a 3%", disse Amorim. Em 2001, o PIB cresceu 1,5%. Amorim ressaltou que isso se realizará "se nada de extraordinário acontecer" ao longo do ano, como o racionamento de energia e os ataques terroristas aos Estados Unidos no ano passado.A pesquisa anual do Dieese de negociações salariais apontou que 28,54% das categorias (151 das 529 analisadas) conseguiram reajuste salarial maior que a inflação medida pelo Índice de Custo de Vida (ICV), que ficou em 10,49% entre dezembro 2000 a novembro do ano passado. Outros 377 sindicatos (71,27%) tiveram negociações mais complicadas e não conseguiram reajustes que recuperassem a inflação do período.Os sindicatos de trabalhadores da indústria, que são 264 das 529 categorias pesquisadas, conseguiram reajustes maiores que o ICV-Dieese em 33,33% (88 categorias) dos casos. Os outros 66,66% dos sindicatos industriais conseguiram reposições menores que a inflação. No setor de serviços, dos 186 sindicatos pesquisados, 152 (81,72%) não atingiram a reposição da inflação. Outros 33 (17,7%) sindicatos conseguiram ultrapassar o ICV-Dieese nas negociações (1 sindicato teve reposição igual ao índice inflacionário). No comércio, que tem 45 sindicatos pesquisados, 84,4% tiveram reposição menor que o ICV-Dieese e 15,56% tiveram aumentos acima da inflação. As 16 categorias que negociam nacionalmente, entre eles as dos bancários e dos petroleiros, tiveram reajustes menores que a inflação do período.O Dieese ainda não avaliou como a flexibilização da CLT vai afetar as negociações salariais, afirmou Amorim. "O desenho da flexibilização ainda não está definido. Mas a flexibilização, de certa maneira, tem feito parte das negociações desde 1995", afirmou. Ele disse acreditar que os sindicatos terão maior poder de pressão, desde que a economia do País evolua favoravelmente. Amorim observou ainda que, desde 95, o perfil das greves tem mudado. "Caiu o número de greves por reajustes e aumentou o das que combatem o descumprimento das obrigações, como 13º salário. As greves agora são mais de caráter defensivo", afirmou.

Agencia Estado,

18 de março de 2002 | 13h28

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