Dieese nega que melhora salarial esteja contaminando inflação

Eventuais contaminações da inflação neste início ano por conta do bom desempenho das campanhas salariais de 2004 foram minimizadas hoje por técnicos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-econômicos (Dieese). "Ao olharmos o desempenho de 658 negociações do ano passado, veremos que mais de 70% dos acordos salariais tiveram aumento real de, no máximo, 3%", indicou o diretor-técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio. "Achar que esse movimento de melhora de salário é suficiente para desestruturar uma política de controle de inflação nos parece um pouco demais", adicionou.Ele lembrou ainda que os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho revelam que, apesar de terem sido criados mais de 1,5 milhão de empregos formais no País ao longo de 2004, a massa de rendimentos permaneceu estável. "Há grande rotatividade de mão-de-obra, com a substituição de ocupações, com o pagamento de salários menores para os novos contratados", justificou.O supervisor do escritório do Dieese em São Paulo, José Silvestre de Oliveira, lembrou que o universo do levantamento do balanço das campanhas salariais realizado pela instituição envolve um conjunto de trabalhadores com registro em carteira e regidos, portanto, pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Portanto, as constatações da pesquisa não podem ser estendidas aos demais trabalhadores brasileiros."O crescimento da renda é muito pequeno. Se há algum aumento de demanda, como de bens duráveis ou semi-duráveis, ele decorre do crescimento do crédito ao longo de 2004, principalmente do crédito em consignação em folha de pagamento", explicou Silvestre.Negociações em 2005Dirigentes do Dieese projetaram hoje que as negociações salariais ao longo de 2005 deverão seguir o bom desempenho verificado no ano passado, quando 81% de 658 negociações salariais acompanhadas pela instituição resultaram em reajustes iguais ou superiores ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).O resultado de 2004 foi o melhor verificado pelo Dieese em nove anos de acompanhamento das negociações salariais. Segundo seus coordenadores, não é conclusivo para apontar o comportamento global do mercado de trabalho no Brasil, mas aponta tendências e movimentos sobre os rumos da relação entre empregados e empregadores.

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