Dieese prevê que 2006 será bom ano para negociações salariais

O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-econômicos (Dieese) acredita que as campanhas salariais deste ano poderão manter o mesmo bom desempenho verificado no ano passado, a melhor performance em dez anos. O otimismo dos técnicos da instituição resulta das expectativas de crescimento econômico para o ano e da expectativa de retomada de investimentos produtivos e em infra-estrutura no País, segundo o diretor-técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio.Como 88% das negociações salariais acompanhadas pela instituição no ano passado resultaram em reajustes iguais ou superiores à inflação, o diretor-técnico do Dieese observa que o ritmo de crescimento de acordos bem-sucedidos tende a diminuir."Estamos chegando a um teto, um patamar muito elevado e é difícil crescer mais, mas podemos manter esse patamar e melhorar ainda mais os acordos nas campanhas deste ano", comentou.2004Em 2004, 80,9% das negociações conquistaram pelo menos as perdas inflacionárias acumuladas pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), até a data-base das categorias, um desempenho amplamente superior aos 41,6% dos acertos com tal performance em 2003.PIBAlém do crescimento maior do Produto Interno Bruto (PIB), projetado pela indústria na casa de 4%, o Dieese acredita que as negociações salariais deste ano serão diretamente influenciadas pela melhora do ambiente econômico interno trazida por aumento de consumo, a ser provocado pela expansão do salário mínimo, maior renda média dos trabalhadores e pela manutenção da oferta de crédito.Tal otimismo levou Lúcio a não dar grande importância à queda de 1,3% da produção industrial em janeiro ante dezembro, já considerado o ajuste sazonal, conforme divulgado nesta quinta-feira pelo IBGE."Os dados mensais são ruins para se fazer uma análise de longo prazo. O que podemos afirmar é que a indústria sofreu em 2005, por ter atingido um patamar de atividade muito elevado em 2004, e mesmo assim manteve os empregos", disse Ganz Lúcio. "Entendemos que em 2006 o País crescerá economicamente mais do que o no ano passado e que a indústria seguirá com bom desempenho", acrescentou.PropulsorFoi, inclusive, o setor industrial o propulsor do bom desempenho dos acertos coletivos, no ano passado. Do total de acordos avaliados pelo Dieese neste segmento, 83,5% obtiveram ganho real, até a data-base de cada categoria. Outros 10% dos acordos recompuseram a inflação, ao passo que apenas 6,5% das negociações ficaram abaixo da inflação.Por cadeia, os melhores acertos foram firmados com as categorias de metalúrgicos e trabalhadores dos segmentos de construção civil, artefatos de borracha, papel, papelão e cortiça, todos com 100% das negociações resultando em ganhos acima da inflação, e também nos segmentos de químico e farmacêutico e de alimentação, com, respectivamente, 75% e 80% dos acordos com ganho real.

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