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Dieese sugere ao BC revisão de meta de inflação para baixo

Segundo a entidade, maior parte dos itens que compõem o ICV atingiu o mesmo patamar de estabilidade de 2007

Francisco Carlos de Assis, da Agência Estado,

05 de outubro de 2009 | 11h54

A coordenadora do Índice do Custo de Vida (ICV) do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Cornélia Nogueira Porto, sugeriu nesta segunda-feira, 5, que o Banco Central (BC) comece a avaliar a possibilidade de reduzir para baixo a meta de inflação. Atualmente, a meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 4,5%, tanto para 2009 quanto 2010, e tem uma margem de manobra de dois pontos porcentuais para cima ou para baixo como forma de acomodar eventuais choques.

 

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A sugestão do Dieese toma como base um estudo que considera o comportamento da inflação segundo os critérios de estabilidade entre janeiro de 2007 e setembro de 2009. A conclusão é de que a maior parte dos 594 itens que compõem o ICV, agrupados por trimestres, atingiram no segundo semestre deste ano o mesmo patamar de estabilidade registrado em 2007.

 

Naquele ano, 57% do total de itens mostravam estabilidade de preços, 25%, inflação, e 15,7% mostravam deflação. No segundo semestre deste ano, 57% têm comportamento estável, 24,7%, inflação, e 17,7%, deflação. A metodologia do estudo feito por Cornélia leva em conta as seguintes hipóteses: quando o preço sobe acima de 1%, considera-se comportamento inflacionário; aqueles com variação abaixo de 1% têm comportamento deflacionário, e os que se encontram no intervalo de variação entre mais ou menos 1%, são considerados estáveis.

 

Cornélia explicou que considerou um período maior no seu estudo porque, no final de 2008, em decorrência da crise internacional, ocorreu um desarranjo na estrutura de preços que se estendeu até o primeiro trimestre de 2009. "Constata-se nesse período alterações significativas nos preços do mercado interno, com maior participação de itens com desempenho inflacionário (34,6%) e menor para aqueles com quedas de seus valores (13,2%)", disse a coordenadora.

 

Crise

 

Ela acrescentou ainda que no terceiro e quarto trimestres de 2008, com a crise internacional no início de setembro, já se nota uma diminuição de itens com comportamento inflacionário e o aumento acentuado daqueles com desempenho estável, como se os agentes econômicos estivessem aguardando as repercussões da crise na economia brasileira.

 

No primeiro trimestre de 2009, continuou Cornélia, verifica-se alguma estabilidade nos preços, com queda na participação dos estáveis (51,6%) e aumento das porcentagens dos inflacionários (30,3%) e dos deflacionários (18,1%). "É interessante observar que os padrões de variação de preços dos dois últimos trimestres foram muito semelhantes aos de 2007, quando o mercado interno registrava comportamento bastante estável e não sofria pressões internacionais de seus valores", disse Cornélia, acrescentando que o mercado interno sofreu mais com as altas das commodities do que com a crise financeira mundial.

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