Dieese: use aumento para pagar dívidas

Os aumentos salariais conquistados por diversas categorias profissionais no segundo semestre deste ano, que em termos reais podem chegar a 2 ou 3 pontos porcentuais, e o 13º salário, devem ser destinados ao pagamento de dívidas antigas, como carnês em atraso ou cheques especiais. A avaliação é do coordenador técnico do Dieese, Wilson Amorim. Ele acredita que esta deve ser a prioridade dos trabalhadores, porque são débitos que implicam custos altos com juros se mantidos por muito tempo.No segundo momento, na opinião de Amorim, os ganhos até podem ser canalizados para as compras, mas elas ficarão concentradas em produtos de baixo valor unitário. O economista destaca que, apesar da melhora do emprego, houve encolhimento do salário médio real este ano e o total de salários pagos dos trabalhadores (massa salarial) está praticamente igual ao do ano passado.Levantamento do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) indica que há uma tendência típica nessa época do ano de elevação do número de consumidores que regularizam seus débitos em novembro e dezembro. No ano passado, o número de registros cancelados de um mês para outro cresceu 6,5%. Em 1998, aumentou 22%. Na primeira quinzena deste mês, o movimento diário no SPC cresceu 15% em comparação com outubro. Isto não significa que o cancelamento dos débitos ocorrerá na mesma proporção, mas pode indicar um maior interesse dos devedores em regularizar a situação, de acordo com a Associação Comercial de São Paulo (ACSP).Reajustes salariais não animam o comércioOs aumentos salariais de diversas categorias também não estão animando o comércio. Embora ajude a recompor a massa salarial, os reajustes reais foram pequenos e não alteraram as estimativas de crescimento do faturamento este ano. Na opinião de Fábio Pina, da Federação do Comércio do Estado de São Paulo, o impacto não será maior que no ano passado. Para ele, os ganhos dos trabalhadores e o aumento das vendas estarão em consonância com a elevação esperada do PIB, que é de 3% a 4%.Além disso, os recursos dos aumentos podem ser tomados pelo aumento dos combustíveis, que reduz efetivamente o poder de compra dos consumidores, e a manutenção dos juros básicos em 16,5%, que desestimula o crédito. "Quando há uma redução das taxas, mesmo que demore a chegar ao consumidor final, ocorre um efeito psicológico que incentiva os gastos das pessoas", explica outro economista da ACSP, Emílio Alfieri. A ACSP contava com uma taxa Selic de 15% no final deste ano.

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