Diesel cai em ritmo menor que o esperado pelo governo

Levantamento da ANP mostra que queda acumulada desde reajuste é de 2,28%, bem abaixo dos 9,6% calculados

Nicola Pamplona, de O Estado de S. Paulo,

22 de junho de 2009 | 15h12

A redução do preço do diesel nas bombas vem se dando em ritmo bem menor do que o esperado pelo governo: segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo (ANP), a queda acumulada é de 2,28% desde o reajuste promovido pela Petrobras nas refinarias. Na ocasião, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, informou que o governo calculava uma queda de 9,6% nas bombas, fruto da redução de 15% promovida nas refinarias, compensada por um aumento na Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), de R$ 0,04 por litro.

 

Segundo a ANP, o preço médio do diesel no Brasil foi de R$ 2,057 por litro na semana passada, contra os R$ 2,105 vigentes na semana do reajuste. Em São Paulo, a queda nas bombas foi ainda menor, de 2,02%, para R$ 2,076 por litro. Na semana passada, três Estados tiveram preço médio de diesel abaixo dos R$ 2 por litro: Goiás (R$ 1,975), Tocantins (R$ 1,990) e Paraná (R$ 1,999).

 

"Tem muita gente que está ainda com estoque antigo, comprado a preços mais caros. Mas ainda há espaço para que os preços baixem mais", disse o presidente da Federação Nacional do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes (Fecombustíveis), Paulo Miranda. Segundo ele, a única distribuidora a repassar toda a redução do preço nas refinarias foi a Petrobrás. As demais ainda estariam repassando valores inferiores ao estimado, enquanto queimam estoques antigos.

 

Em São Paulo, a queda nas bombas foi ainda menor do que a média nacional: 2,02% desde o início do mês, atingindo um preço médio de R$ 2,076 por litro na semana passada. A pesquisa da ANP aponta que Roraima tem o diesel mais caro do País, vendido, em média a R$ 2,467 por litro. O valor é 1,13% menor do que o vigente na semana do reajuste.

 

Miranda diz que ainda há espaço para novos repasses, principalmente quando as distribuidoras finalizarem os estoques atuais. O setor, porém, discorda do cálculo do governo com relação ao repasse total às bombas. Logo após o reajuste, distribuidoras e revendedores divulgaram projeções de repasse máximo de 8%.

 

Além disso, o aumento na mistura de biodiesel no diesel de petróleo, prevista para o próximo dia 1º, deverá segurar um pouco a queda no preço do combustível, uma vez que os óleos vegetais são mais caros do que o derivado de petróleo. A nova mistura terá 4% de biodiesel.

 

Já o preço da gasolina, que também foi reduzido nas refinarias, não teve alterações nas bombas, fechando a semana passada em R$ 2,483, na média nacional. Neste caso, porém, o governo ampliou a Cide na mesma proporção da queda promovida pela Petrobrás e não esperava mudanças nos postos.

 

Ampliada às 19h10

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