Diferença e marca

Em tempos de redes sociais, uma geração de novos profissionais vem se destacando cada vez mais nas empresas. São os Millenials, também chamados de Geração Y, G, We, Globalist, Digital Youth, entre outros. Estima-se que esta nova geração represente, até o ano de 2015, cerca de 50% da força de trabalho e, em 2025, já deverá ocupar 75% das vagas.

ESPECIALISTA DE MARKETING MARCA NA IBM BRASIL, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2013 | 02h14

Hoje, essa turma é a principal responsável pela produção e consumo de uma enxurrada de dados digitais. Seu ambiente é multiplataforma: TV, celular, game, tablet - tudo ao mesmo tempo agora. Seja em casa, na rua, no trabalho ou durante o lazer, os Millenials estão sempre em movimento e conectados.

Diante dessa realidade, muitas empresas ainda se esforçam mais tentando entender os conteúdos que estão sendo produzidos e as plataformas utilizadas do que em compreender o comportamento, a cultura e, acima de tudo, os valores desta nova geração. Seus integrantes querem fazer o que gostam e têm um imenso espírito empreendedor e inovador.

Valores. Não me atrevo a definir os valores da Geração Y, mas me arrisco a afirmar que liberdade, felicidade, pluralidade e estar (em vez de ser) fazem parte dessa lista.

Se a nova geração de funcionários está mudando a forma como as empresas atuam, produzem e se comunicam dentro e fora das organizações, é natural que elas tenham que repensar também a forma como contratam mão de obra. A maioria das companhias ainda executa os processos de recrutamento nos mesmos moldes das gerações anteriores, áreas de negócio ainda estabelecem perfis profissionais com base em uma lista já ultrapassada de habilidades e de conhecimentos.

Muitos processos de recrutamento ainda são feitos com base em provas de raciocínio lógico e dinâmica de grupo - que funcionavam muito bem há alguns anos, mas não são mais tão efetivos para avaliar uma geração que não é linear e que já abraça as diferenças, pluralidade e transita facilmente em qualquer grupo.

Da mesma forma, planos de carreira tradicionais engessados em sistemas hierárquicos não atendem mais pessoas que têm como valores a liberdade e o desejo de empreender.

A entrada dos Millenials na força de trabalho - com sua cultura e valores próprios - desafia os profissionais de branding, pois conflita com os princípios e diretrizes estabelecidos nas organizações. O caso se agrava em grandes companhias com milhares de funcionários e múltiplas gerações trabalhando em vários países. Mesmo com uma cultura organizacional única, formam-se subculturas diversas e, às vezes, contraditórias.

Talentos. Não há como evitar esse conflito - e nem as organizações querem fugir dessa realidade. Afinal, atualmente, todos conhecem as vantagens e o imenso valor que tem uma força de trabalho diversa para formar os melhores talentos de uma empresa.

A solução é o exemplo começar das equipes de liderança, que, ao refletirem de forma evidente os valores e a cultura organizacional em suas ações diárias, inspiram toda a organização a executar processos que confirmem a reputação da marca. É por isso que branding é executado internamente e focado nas lideranças, estimulando uma comunicação clara e concisa para garantir que os funcionários ajam e tomem decisões de negócios de acordo com os princípios da empresa, fortalecendo a projeção da marca no mercado. E como são os Millenials que darão vida a uma marca, o mais adequado é recrutar jovens profissionais com atitudes e valores já alinhados aos da empresa.

O problema de falta de mão de obra qualificada pode ser mitigado se as empresas começarem a recrutar por alinhamento de valores da empresa e treinar por habilidades. O contrário não funciona mais.

Por outro lado, este é o momento certo para a nova geração se posicionar no mercado, mostrando o que tem a oferecer para as empresas e como pode acompanhá-las em seu crescimento.

Aqueles que apresentarem atitudes e valores condizentes aos da corporação que escolheram estarão um passo a frente para obter sucesso pessoal e profissional.

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