Diferença entre dólar oficial e paralelo chega a 45% na Argentina

Para economistas, cruzada antidólar da presidente Cristina Kirchner provocou a disparada do câmbio

ARIEL PALACIOS , CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2012 | 03h04

O dólar no mercado paralelo na Argentina continua mantendo ampla diferença em relação à cotação oficial. Ontem, a moeda americana foi cotada em 6,65 pesos, enquanto o oficial ficou na faixa dos 4,57 pesos.

Os analistas na city financeira portenha indicam que a distância de 45% entre as duas cotações é resultado da política da presidente Cristina Kirchner de restringir o máximo possível o acesso dos argentinos ao dólar.

Os economistas afirmam que a presidente mexeu em um "vespeiro" ao tentar regular o dólar, refúgio predileto dos argentinos para resguardar suas economias nos momentos de crise há mais de 40 anos. O dólar no paralelo estava em 4,70 pesos em janeiro. Na mesma época, o dólar oficial estava em 4,37 pesos.

A brecha entre as duas cotações cresceu em junho e julho, especialmente depois das últimas medidas da presidente Cristina para limitar o acesso dos argentinos à sua moeda preferida.

A cruzada antidólar tornou-se a principal obsessão do governo argentino, que pretende impedir a saída de dólares, para tentar equilibrar as contas fiscais. Diversos ministros do gabinete Kirchner declararam nos últimos meses que os argentinos deverão "começar a pensar em pesos e deixar de lado os dólares".

Mas, segundo o economista Federico Sturzenegger, presidente do Banco Ciudad, "existe um processo inflacionário e isso causa preocupação nas pessoas". "Sem saber o que fazer com seu dinheiro, que perde valor, buscam refúgio na divisa americana, porque sabem que é uma moeda saudável, que não perderá valor."

Segundo o economista Enrique Alvarez, chefe do departamento de análise latino-americana da consultoria Idea Global, "nos países onde existem tipos de câmbios paralelos com tais brechas cria-se o cenário de escassez e tendência à inflação". "O problema, no caso argentino, é que o país conta com um complicado histórico de inflação. E é preciso levar em conta, além desse histórico, a psicologia do argentino em relação ao dólar."

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