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Diferença entre gasto do brasileiro no exterior e do estrangeiro aqui é a maior desde 2015

Viagens internacionais registraram rombo de US$ 1,223 bilhão e estão perto de se tornar o principal déficit na conta de serviços

Fernando Nakagawa, O Estado de S.Paulo

26 Fevereiro 2018 | 12h38

A conta de viagens internacionais voltou a registrar déficit em janeiro, informou o Banco Central. No mês passado, a diferença entre o que os brasileiros gastaram lá fora e o que os estrangeiros desembolsaram no Brasil foi um saldo negativo de US$ 1,223 bilhão. Esse é o pior resultado para o mês desde 2015, quando o déficit somou US$ 1,670 bilhão. Em igual mês de 2017, o déficit nessa conta foi de US$ 918 milhões. 

O resultado mostra que o gasto de brasileiros no exterior saltou 26,8% em janeiro na comparação com igual período do ano passado e somou US$ 2,002 bilhões. "A conta de viagens se aproxima de se transformar no maior déficit da conta de serviços", disse o chefe do Departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha. Com o aumento das viagens ao exterior, o ano de 2018 começou com o quarto maior valor para o mês de gasto de brasileiros em viagem da série e apenas US$ 272 milhões inferior ao recorde histórico registrado em 2013 - quando foram registrados US$ 2,274 bilhões. 

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O desempenho da conta de viagens internacionais foi determinado por despesas de brasileiros no exterior, que somaram US$ 2,002 bilhões em janeiro. Já o gasto dos estrangeiros em passeio pelo Brasil ficou em US$ 779 milhões no mês passado. 

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Em janeiro de 2018, o déficit da conta de viagens somou US$ 1,223 bilhão, valor bem próximo ao saldo negativo gerado pelo aluguel de equipamentos no exterior, que somou US$ 1,239 bilhão. "Anteriormente, o maior déficit de serviços era sempre vinculado à conta de aluguel de equipamentos, mas o investimento tem sido o item que tem apresentado mais dificuldade em se recuperar. Então, o déficit é praticamente igual ao de viagens", disse Rocha. 

Em fevereiro, essa tendência continua. O dado preliminar do mês até o dia 22 indica déficit de US$ 649 milhões, resultado de gastos totais de US$ 1,141 bilhão de brasileiros em viagem no exterior e recebimento de US$ 491 milhões com estrangeiros em passeio no Brasil. 

O técnico do BC explica que o aumento da renda disponível, da massa salarial e do emprego está por trás do aumento dos embarques de brasileiros para o exterior. "Vimos isso ao longo de 2017. Em geral, houve recuperação do emprego, da renda e da massa salarial. Isso não gera impacto apenas na demanda interna, mas uma parte é destinada à demanda externa", disse Rocha.

Apesar desse aumento do rombo gerado pelos turistas, o chefe do departamento do BC não demonstra preocupação. "Temos o menor déficit externo desde 2007. O déficit em valor é baixo e é inteiramente financiado com o Investimento Direto no País. Em termos macroeconômicos, isso não traz preocupação", disse. Para 2018, o BC estima um déficit de US$ 17,3 bilhões para esta rubrica, mais que os US$ 13,192 bilhões de déficit registrados em 2017. 

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Contas externas. Após o déficit de US$ 4,327 bilhões em dezembro, o resultado das transações correntes ficou negativo em US$ 4,310 bilhões em janeiro deste ano, informou o Banco Central (BC). A instituição projetava para o mês passado déficit em conta de US$ 5,3 bilhões. 

O número ficou dentro do levantamento realizado pelo Projeções Broadcast, que tinha intervalo de déficit de US$ 6,200 bilhões a US$ 3,500 bilhões, com mediana negativa de US$ 5,063 bilhões. A estimativa atual do BC, atualizada em dezembro, é de que o rombo externo de 2018 seja de US$ 18,4 bilhões. 

A balança comercial registrou saldo positivo de US$ 2,398 bilhões em janeiro, enquanto a conta de serviços ficou negativa em US$ 2,763 bilhões. A conta de renda primária também ficou deficitária, em US$ 4,119 bilhões. No caso da conta financeira, o resultado ficou negativo em US$ 3,673 milhões.

Já nos últimos 12 meses até janeiro deste ano, o saldo das transações correntes está negativo em US$ 8,987 bilhões, o que representa 0,44% do Produto Interno Bruto (PIB). Em igual período de 12 meses até janeiro de 2017, o déficit externo era equivalente a 1,31% do PIB.

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