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Difícil achar um chefe para a Disney

À medida que os estúdios perderam importância, o interesse de grandes executivos para dirigi-los também diminiu

THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2012 | 03h08

Há duas semanas, Rich Ross renunciou à presidência do Walt Disney Studios. Mas ninguém sentiu falta dele na convenção de empresas de exibição de cinema, em Las Vegas, na semana passada. Executivos como John Lasseter, da Pixar, e Keving Feige, da Marvel, apresentaram sem problemas a lista dos próximos filmes da companhia.

A presença deles e a ausência de Ross deixaram claro que a Disney enfrenta problemas. A empresa conseguirá encontrar uma pessoa mais forte do que os chefes das divisões? Ou vai preferir mais um controlador do tráfego aéreo como Ross, que se encarregou de impedir que os egos desses executivos se chocassem? "Ou é um cargo incrivelmente poderoso ou absolutamente não é um cargo", disse Harold Vogel, analista de mídia. "Isso pode explicar a falta inusitada de candidatos para suceder Ross."

Nos tempos dos grandes diretores de estúdio, as operações ainda eram autônomas, o que dava poder aos executivos. Mesmo quando a consolidação dos estúdios tomou conta de Hollywood, nos anos 80, os diretores de estúdios continuaram a reinar, porque, como diz Vogel, "os filmes ainda eram uma parte bastante grande do quebra-cabeças, a ponto de influir no preço das ações e na receita dos grandes grupos que os estavam adquirindo".

Hoje, porém, os estúdios estão mergulhados dentro de gigantes da mídia e tecnologia, como Sony e Viacom. Suas atividades pouco influem nas cotações de Wall Street. Tanto que a Disney teve receita total de US$ 14 bilhões no ano passado, mas apenas US$ 6,4 bilhões vieram do estúdio de cinema. Quando Rich Ross deixou a companhia, ou até quando a Disney informou no mês passado que o filme 'John Carter' exigiria uma baixa contábil de US$ 200 milhões, o preço das ações permaneceu estável.

À medida que os estúdios se tornam menos importantes, o talentoso grupo de executivos competindo para dirigi-los também diminui. O Vale do Silício agravou o problema. Por que dirigir um estúdio quando se pode criar o próximo YouTube? Se somarmos a essas dificuldades a queda nas operações com DVD, um público que vem encolhendo nas salas de cinema e a mídia social solapando as tradicionais técnicas de marketing, esses altos cargos ficam ainda menos cobiçados.

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