Difícil acordo entre Petrobras e PDVSA em campo venezuelano

Diretor da Petrobras afirmou que o projeto deve ser atrasado, diante das dificuldades de consenso

Nicola Pamplona, do Estadão,

10 de setembro de 2007 | 18h53

A Petrobras vem encontrando dificuldades para fechar acordo junto à estatal venezuelana PDVSA para projetos de exploração de gás na província de Mariscal Sucre, na Venezuela. A parceria faz parte de acordo fechado em 2005, que prevê a troca de participações na Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, e no campo petrolífero Carabobo 1, operação que também enfrenta problemas. No caso de Mariscal Sucre, as divergências referem-se ao destino da produção, informou o diretor internacional da Petrobras, Nestor Cerveró. Veja também:Petrobras declara comercialidade de campo de Xerelete, em CamposLucro da PDVSA cai 16% em 2006 para US$ 5,45 bi O executivo explicou que a Petrobras aposta na liquefação do gás natural, o que permite vender a produção no mercado internacional, aproveitando os altos preços do combustível. Já a PDVSA prefere destinar a produção ao mercado interno. "São questões que significam diferentes taxas de retorno, de rentabilidade", disse Cerveró. A Venezuela aposta em grandes descobertas de gás na região e já desenhou um projeto de industrialização do gás em seu próprio território, principalmente como insumo petroquímico. O diretor da Petrobras afirmou que o projeto deve ser atrasado, diante das dificuldades de consenso. "A previsão inicial era entrar em produção em 2010. Mas já está difícil de cumprir esse prazo", destacou. As reservas em que a Petrobras negocia participação têm potencial para produzir 18 milhões de metros cúbicos de gás por dia, a um investimento estimado em US$ 3 bilhões. O impasse nas negociações sobre Mariscal Sucre é mais um exemplo das dificuldades que as duas empresas vêm tendo para acertar os ponteiros com relação à prometida atuação conjunta. Na semana passada, a Petrobras iniciou, sem participação de executivos da PDVSA, a construção da Refinaria Abreu e Lima. Cerveró disse que as duas partes ainda negociam como serão os acordos de acionistas das duas empresas criadas para a parceria (uma administrará a refinaria e outra, o campo de Carabobo). Em entrevista para detalhar o planejamento estratégico da companhia para a área internacional, que terá investimentos de US$ 15 bilhões nos próximos cinco anos, Cerveró disse que a empresa estuda a construção de uma central petroquímica na América do Sul, em país ainda não divulgado. O objetivo, disse, é aproveitar sinergias com as atividades petroquímicas da companhia no Brasil e na Argentina.

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