Dificuldade para qualificar, facilidade para perder

Empresas do setor eólico precisam formar mão de obra e encarar o assédio de concorrentes aos [br]trabalhadores treinados

Ângela Lacerda, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2010 | 00h00

Toni Ribeiro, 30 anos, encaixotava bebidas em uma fábrica quando soube que a multinacional argentina Impsa estava recrutando profissionais para a montadora de aerogeradores que iria instalar no complexo industrial e portuário de Suape, na região metropolitana do Recife. A primeira noção que teve do equipamento foi por fotos, durante o treinamento, que começou seis meses antes da instalação da fábrica, em setembro de 2008. Quando viu um aerogerador "de verdade", o operador de montagem "caiu na real". "Que máquina, 70 toneladas!", assombrou-se.

Ribeiro fez parte da primeira equipe de 15 funcionários de chão de fábrica da Impsa. Além de um treinamento na empresa, o grupo fez um curso de eletricidade básica e de máquinas elétricas no Senai, pago pela Impsa. Na turma, havia gente que nunca havia usado sequer uma trena.

Hoje, a fábrica tem 310 funcionários e outros 100 serão contratados nos próximos três meses. Agora, além de continuar convivendo com a dificuldade de mão de obra - o cargo de supervisor, por exemplo, é dos mais complicados e é raro encontrar alguém com inglês fluente -, a Impsa tem de lidar com a perda de profissionais para outras empresas. "Temos, então, de começar tudo de novo, treinar do começo", diz o diretor industrial da empresa Federico Schlamp.

Segundo o executivo, esse é o efeito colateral de um ambiente industrial em crescimento e com forte demanda de mão de obra qualificada, caso do complexo de Suape. A perda de profissionais se dá em todos os níveis, da gerência ao chão de fábrica. "Em um mês perdemos quatro pessoas-chave na fábrica."

A Impsa elegeu Pernambuco para instalar a fábrica depois de avaliar várias cidades. A logística foi um dos pontos fortes, ao lado da infraestrutura existente e da política de redução de impostos. A fábrica está a dez quilômetros do Porto de Suape e próxima da futura Ferrovia Transnordestina, que irá ligar Suape ao Porto de Pecém, no Ceará.

Schlamp conta que chegou a se questionar sobre a escolha em alguns momentos. Um deles, quando leu uma reportagem local anunciando a existência de "17 mil vagas para a implantação do Estaleiro Atlântico Sul e da Refinaria Abreu e Lima". Sorridente, disse ter se indagado, então: "O que estou fazendo aqui?"

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.