DIDA SAMPAIO/ESTADAO
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Dilma admite momento difícil da economia e do setor de construção

Presidente falou a uma pequena plateia de empresários no 21º Salão Internacional da Construção após ser vaiada na entrada

Francisco Carlos de Assis, Agência Estado

10 de março de 2015 | 12h58

(Atualização às 16h15)

SÃO PAULO - A presidente Dilma Rousseff reconheceu nesta terça-feira, 10, o momento difícil por que passa a economia brasileira. Ela falou durante a abertura do 21º Salão Internacional da Construção, ressaltando que seu governo está "trabalhando sistematicamente" para vencer a desaceleração da economia. "Não ignoro a desaceleração da economia e do setor neste momento, mas temos trabalhado sistematicamente para vencer esta desaceleração", disse Dilma para uma pequena plateia de empresários expositores na feira da construção.

Dirigindo-se diretamente ao empresariado, a presidente pediu que "não deixem as incertezas conjunturais determinarem a sua visão de futuro". Segundo a presidente, sem a ajuda do empresariado, o governo não conseguirá avançar nas suas propostas. Dilma disse ainda que o setor de construção civil é um exemplo bem-sucedido de parceria entre os governos federal, estaduais e municipais com a iniciativa privada. "Desejo muito sucesso e podem contar que nós iremos juntos superar desafios que temos pela frente", encerrou a presidente. 

Vaias. A presidente Dilma Rousseff foi insistentemente vaiada durante um curto período de tempo em que visitou os estandes do 21º Salão Internacional da Construção. Ainda fechado ao público geral, o evento, que ocorre no pavilhão de exposições do Anhembi, era ocupado somente por empresários e funcionários do segmento de construção civil.

A presidente chegou ao local de helicóptero, mas adentrou o pavilhão de carro. Os corredores da exposição foram isolados pela segurança com fitas que garantiam distância entre a comitiva presidencial e os demais presentes. Entre os acompanhantes de Dilma estavam o ministro das Cidades, Gilberto Kassab, o Secretario de Comunicação Social da Presidência, ministro Thomas Traumann, e o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad.

Diante da reação do público, que gritou palavras de ordem como "fora Dilma, a presidente percorreu apenas uma pequena parte da exposição e, mostrando desconforto, voltou ao carro. Dilma foi conduzida ao auditório Elis Regina onde participou da solenidade oficial de abertura do 21º Salão Internacional da Construção. Com capacidade para 799 pessoas, o local não tinha metade da lotação.

Desonerações. Dilma afirmou ainda que o governo brasileiro absorveu, em seu orçamento, os impactos da crise econômica por meio de desonerações e subsídios. Por conta disso, segundo a presidente, a União não tem mais como manter as desonerações. 

A presidente disse que as desonerações são de dois tipos: as estruturais e as contracíclicas. Segundo ela, as estruturais serão mantidas, mas as contracíclicas o governo não tem condições de manter. Ela lembrou, inclusive, que o governo adotou medidas tributárias, com desoneração de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), para os materiais de construção. "Construção é basicamente um setor de produtos nacionais", afirmou. Ela citou a criação do registro nacional de imóveis e das Letras Mobiliárias Garantidas, ferramentas de ajudaram no desenvolvimento do setor. "A primeira etapa do ajuste foi proteger o emprego, desonerando pesadamente", defendeu.

No entanto, a presidente lembrou que houve recuo na receita dos entes federados no final de 2014. Para ela, essa redução na receita impede a manutenção de desonerações e subsídios.

Crise. Em outros momentos do discurso, Dilma citou a crise internacional e alguns objetivos alcançados por seu governo. Ela citou como exemplo a China, que prevê crescimento abaixo de 7% este ano. Sobre o Brasil, afirmou que no ano passado 750 mil famílias entraram no bolsa família e saíram 1,3 milhão, numa clara resposta a críticas de que o programa possui uma porta de entrada, mas não uma de saída.

A presidente revelou ainda que, neste mês de março, "devemos ter uma nova etapa de investimento em logística". Além disso, defendeu que o Brasil incorpore melhores práticas nas questões hídrica e energética. Segundo ela, as próximas etapas do Minha Casa, Minha Vida já contará com equipamentos para uso eficiente da água e da energia elétrica. 

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