Dilma agora admite ajuda à Varig, "sem sombra de dúvida"

Depois de o governo passar semanas negando que pudesse haver repasse de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para socorrer a Varig, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, mudou o discurso e, em tom mais conciliador, falou da disponibilidade de ajuda à empresa aérea. Segundo a ministra, "sem sombra de dúvidas, o BNDES se dispõe a entrar" (para financiar a Varig) se houver um investidor novo que dê garantias. Até agora, o governo resistia em admitir que o BNDES pudesse injetar recursos na empresa e reiterava que já havia ajudado como podia ao não cobrar as dívidas da companhia, o que levou o débito mais de R$ 8 bilhões."É fundamental que a Varig seja operada por um investidor que tenha condições operacionais e financeiras de assumir a empresa", afirmou a ministra Dilma, ao chegar na noite dessa quarta, 26, ao Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB), em Brasília, para o lançamento de um livro do senador Aloysio Mercadante. "Sem sombra de dúvida, o BNDES se dispõe a entrar", afirmou a ministra, de forma incisiva, em tom diferente do adotado em outras ocasiões. Questionada se o BNDES só entrará financiando se for para um novo investidor, a ministra Dilma respondeu: "É fundamental que seja (novo investidor)."Sobre o tempo que ainda levará para surgir o novo investidor que salvaria a empresa aérea - a cada dia com mais problemas e com suas receitas e rotas sendo reduzidas - a ministra declarou: "Não dá para estipular prazo para entrada do investidor, porque isso não depende do governo, depende de uma série de fatores". Para a ministra, só o investidor interessado na empresa pode definir quando e como pretende fazer a sua oferta.MudançaNa semana passada, no Rio Grande do Sul, a ministra da Casa Civil, embora ressalvando que o governo está interessado em preservar a marca Varig e, conseqüentemente, os empregos, declarou que "o governo já socorreu a Varig ao não cobrar as dívidas". E repetiu, inúmeras vezes, com ênfase, que o interesse em preservar a marca "não significa botar dinheiro para afundar o buraco, porque botar dinheiro para afundar buraco foi feito até hoje." Afirmou também que não era "de graça" que a empresa tinha uma dívida de R$ 8,5 bilhões, com déficit de caixa, projetado para este ano em R$ 1 bilhão.A própria ministra disse que o BNDES poderia ser acionado, "se houvesse garantias", mas colocando essa possibilidade como remota. Naquela ocasião, a ministra fez questão de ressaltar e repetir uma frase dita pelo presidente, lembrando que eram palavras de Lula - "Nós não vamos botar dinheiro para ficar dando fôlego para o que não tem".

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