Dilma alerta que preço do gás veicular pode ficar mais alto

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, acredita que o preço do álcool combustível vai cair nos próximos anos, sobretudo por conta do aumento dos volumes com maior escala e pela incorporação de novas tecnologias e investimentos em infra-estrutura. A ministra ressaltou que, na ponta oposta, o aumento dos preços do GNV (gás natural veicular) é "inexorável". Na avaliação da ministra, o gás natural é escasso e o Brasil não tem como elevar a oferta, que não seja por meio da importação. Dilma acredita que o preço será revisto para cima não por ação do governo, mas por regulação do próprio mercado. O diretor de Gás e Energia da Petrobras, Ildo Sauer, informou que, no próximo ano, o primeiro reajuste do gás natural deve acontecer em março. Neste ano, a estatal acabou com a política de descontos promovida desde 2003 e já anunciou reajustes acumulados de 24,3% no gás que vem da Bolívia e de 11,83% no nacional, sendo aplicados em duas etapas: uma em setembro e outra em novembro. "Demos os descontos durante estes anos porque tínhamos um custo com o gás boliviano e não havia mercado", explica Sauer, que participou hoje do seminário "Proálcool: 30 anos Depois", promovido pelo Grupo Estado. Em 2003, ele lembra, que a Petrobras trazia 10 milhões de metros cúbicos por dia de gás natural da Bolívia, enquanto o Gasbol tem capacidade para 30 milhões de metros cúbicos. "Tínhamos um prejuízo anual de US$ 400 milhões, que justificava a política de subsídios", disse. Com o fim dessa política, o gás boliviano passará a ter reajustes trimestrais, com base no preço de uma cesta de óleo combustível e no custo do transporte. "Isso não significa que o preço sempre subirá. Se a cotação internacional do óleo cair, ela derrubará o preço do gás também", afirma Sauer, negando que a Petrobras é quem dita as regras no setor. "Essa política será adotada para os contratos da Petrobras, é uma decisão de empresa", diz. Ele admite, no entanto, que mais de 90% do mercado está nas mãos da estatal. Investimento da Petrobras O fato é que o aumento do preço do gás está relacionado à necessidade de conter o crescimento de demanda de quase 20% ao ano, chegando hoje a 42 milhões de metros cúbicos por dia. No plano estratégico da Petrobras, a empresa investirá US$ 16,2 bilhões até 2010 na construção de postos de exploração de gás natural nas bacias de Santos (SP), Espírito Santo e Campos (RJ). A empresa pretende ainda, para garantir a estabilização do mercado brasileiro de gás, elevar a importação da Bolívia e construir um conjunto de gasodutos. Mas isso terá forte impacto no preço do GNV, por exemplo. O preço no mercado internacional está na casa de US$ 8,00/milhão de BTU. "Ou haverá ajustes por preço ou por oferta. Hoje, nossos esforços são para garantir o fornecimento atual", reiterou a ministra. O próprio presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, já disse que a fórmula para isso é aumentar o preço. A preocupação maior é com a entrada das térmicas em operação, que exigirão mais 40 milhões de metros cúbicos por dia de gás. A oferta, portanto, terá de dobrar.

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