Dilma anuncia pacote de R$ 10 bi para indústria naval do País

Parte deste valor será destinado à construção de plataformas, mas deve desenvolver indústria, diz a ministra

Kelly Lima e Nicola Pamplona, da Agência Estado,

07 Outubro 2008 | 13h08

A ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, aproveitou o batismo da plataforma P-51, no estaleiro Brasfels em Angra dos Reis, para anunciar o que chamou de "decisão estratégica" do governo federal para apoiar a indústria naval brasileira. A ministra anunciou que o governo federal vai disponibilizar R$ 10 bilhões por meio do Fundo de Marinha Mercante para financiar o setor. A cerimônia teve a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.     Veja também: O caminho até o pré-sal Assista ao vídeo de Lula na inauguração do pré-sal  Entenda as discussões sobre as mudanças na Lei do Petróleo Mapa da exploração de petróleo e gás País pode ter o terceiro maior campo de petróleo do mundo A exploração de petróleo no Brasil   "O governo federal vai tornar disponível estes R$ 10 bilhões para a frota pesqueira, frota de cabotagem e petróleo. Mais da metade deste valor deve ser destinado à construção de plataformas, mas acreditamos que isso vai possibilitar desenvolvimento da indústria para que o Brasil possa construir todas as plataformas do pré-sal, todas as ondas e barcos de apoio para explorar estas novas reservas", disse. A ministra ainda reafirmou que "a decisão de anunciar este crédito, neste momento de crise econômica, é algo estratégico para esta indústria. É uma estratégia nacional", disse.   A ministra também traçou traçando um histórico da indústria naval no Brasil, para lembrar a defesa de Lula, ainda quando candidato, de que as plataformas de Exploração e Produção da Petrobras poderiam ser feitas no Brasil. A plataforma vai produzir 180 mil barris de petróleo por dia no campo de Marlim Sul, na Bacia de Campos. Também estavam presentes o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, do governador do Estado, Sérgio Cabral, do presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, e dos diretores da estatal.    "O presidente Lula declarou na campanha de 2002 que a Petrobras, sendo uma empresa de petróleo em crescimento, não só podia, mas devia contratar aqui dentro suas encomendas para dar mais emprego e gerar rendas no país", disse a ministra, lembrando que Lula foi criticado pela diretoria da Petrobras, à época. "Diziam que isso seria impossível e chegaram a pedir direito de resposta ao TRE, quando Lula levou em seu programa eleitoral, em 20 de agosto de 2002 imagens daqui deste estaleiro (BRasfels) mostrando que esta construção poderia ser feita no local".   Cerimônia   Cerca de três mil trabalhadores foram dispensados do trabalho no estaleiro para poder acompanhar a cerimônia em que a primeira-dama Marisa Letícia vai batizar a plataforma. Com investimentos de US$ 1 bilhão, a P-51 é a plataforma que atingiu o maior índice de conteúdo nacional, de 75%. A unidade havia sido encomendada ainda no governo Fernando Henrique Cardoso, mas sua licitação, bem como a da P-52, hoje já em produção, foi cancelada pelo presidente Lula em 2003. Ao edital foi adicionada a cláusula que obriga um conteúdo nacional de no mínimo 65% em todas estas unidades produtivas.   Lula foi saudado pelos trabalhadores com palmas e até com uma faixa que pede a ele um terceiro mandato: "O senhor merece um terceiro mandato. Plebiscito já". A ministra Dilma Rousseff também foi ovacionada. Sobraram vaias, no entanto para o prefeito de Angra dos Reis, Fernando Jordão, e também para o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Paulo Inácio.   No palanque montado no estaleiro para a cerimônia de batismo da plataforma, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Angra dos Reis cobrou do presidente que interfira no processo de desligamento dos cerca de quatro mil funcionários do estaleiro Brasfels. "Agora que foi concluída a plataforma P-51, teremos um período de pelo menos um ano, até que esta mão-de-obra seja alocada na construção da P-56, no mesmo estaleiro. Neste período, esta mão-de-obra ficará ociosa. É preciso que a Petrobras construa mais plataformas no Brasil", disse.

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