Geraldo Magela/Agência Senado
Geraldo Magela/Agência Senado

No Senado, Dilma ataca plano de ajuste fiscal do governo

Presidente afastada disse que medidas são ‘ameaças’; para senadores, governo terá de se esforçar para aprovar medidas

Adriana Fernandes, Murilo Rodrigues Alves, Ricardo Brito, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2016 | 20h58

BRASÍLIA - Ciente de que a reversão dos votos dos senadores é uma tarefa difícil, a presidente afastada Dilma Rousseff usou o discurso de defesa no plenário do Senado nesta segunda-feira, 29, para atacar as principais medidas econômicas propostas pelo governo do presidente em exercício, Michel Temer. A fixação de um teto para os gastos públicos, a modificação das regras para o acesso à Previdência e a revisão das regras trabalhistas foram criticadas pela petista.

O discurso deu munição para os críticos do ajuste fiscal encampado pelo governo Temer e fez com que até mesmo senadores que defendem o impeachment reagissem com cautela ao apoio para a aprovação das medidas mais duras para o saneamento das contas públicas.

"A aprovação desses projetos vai depender do desempenho do governo em dar as explicações à população. Temer vai ter de ir à televisão, chamar a rede nacional... A questão primária para a aprovação do ajuste é convencer a população”, disse o líder do DEM no Senado, Ronaldo Caiado (GO). Ele voltou a criticar a “incoerência” do governo interino em pedir a aprovação de medidas do ajuste e, ao mesmo tempo, dar aumento aos servidores e cogitar a criação de novos ministérios.

Profissional. Para o presidente em exercício do PMDB e ex-ministro do Planejamento, senador Romero Jucá (RR), após a aprovação do impeachment, o governo Temer terá de ser “profissional” para aprovar as reformas e retirar o País da crise. Jucá, em conversas reservadas, avaliou que, por ora, a gestão Temer está na “fase fácil”. Mas que será preciso aprovar as reformas estruturais a fim de reverter o desemprego, aumentar o nível de investimento do País e ainda melhorar o endividamento público.

Aos senadores, Dilma classificou a PEC do teto dos gastos públicos como “a ameaça mais assustadora”. “É congelar por inacreditáveis 20 anos todas as despesas com saúde, educação, saneamento, habitação”, disse.

Sobre pontos da reforma da Previdência, como a desvinculação do piso das aposentadorias e pensões do salário mínimo, a presidente disse que serão a “destruição do maior instrumento de distribuição de renda do País, que é a Previdência Social”. Ainda classificou revisões que devem ser propostas na reforma trabalhista como “ameaças” que pariam sobre a sociedade.

“O ajuste proposto por Temer é uma loucura, desfaçatez. Propõe a mesma política liberal que quebrou a Grécia, é de uma irresponsabilidade absoluta”, disse o senador Roberto Requião, do PMDB do Paraná. Segundo ele, da forma como estão, dificilmente as medidas serão aprovadas. Na mesma direção foi a opinião da senadora Fátima Bezerra (PT-RN): “É uma bomba que vem na direção do desmonte de todo Estado de bem-estar social”.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.