Wilson Pedrosa/AE
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Dilma ''começa a ver'' chance de corte de juro

Às vésperas da decisão do Banco Central sobre a taxa de juros, presidente diz, em entrevista a rádios, que já há a possibilidade de reduzir a Selic

Ângela Lacerda, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2011 | 00h00

CUPIRA/PE

Às vésperas da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa básica de juros da economia, a Selic, a presidente Dilma Rousseff afirmou ontem que começa a ver a possibilidade de redução dos juros no Brasil.

"A partir deste momento, nós começamos a ver a possibilidade de redução dos juros no Brasil, que hoje pratica as mais altas taxas", disse em entrevista a emissoras de rádio pernambucanas, na sua visita ao agreste do Estado. A presidente não falou em quanto nem quando os juros começariam a ser reduzidos. Questionada sobre a elevação em R$ 10 bilhões da meta de superávit fiscal - dinheiro economizado pelo governo para pagar os juros da dívida pública - Dilma assegurou que manterá todos os investimentos, como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o Minha Casa, Minha Vida, as obras para a Copa do Mundo, as barragens e os programas sociais.

"Esses R$ 10 bilhões decorrem do esforço que nós fizemos tanto no que se refere ao gasto de custeio como ao gasto de receita", explicou Dilma. "Nós preferimos utilizá-lo para abrir um novo caminho, além do caminho de aumentar o investimento", disse ela, ao afirmar que um caminho para a queda dos juros e dos impostos está se abrindo.

"Já começamos o programa como o Supersimples", citou para exemplificar o início da queda dos impostos. "Com ele, reduzimos os impostos e aumentamos o limite da renda, o que vai permitir que as pessoas, ao invés de declararem pelo imposto presumido, declarem pelo Supersimples, que reúne todos os impostos e os torna menores."

Ela reiterou que a melhor resposta contra a crise econômica internacional é o crescimento do País e do seu mercado interno. "É ele que vai permitir que o País, que conta com suas próprias forças, mantenha seus empregos e sua economia crescendo, porque a melhor defesa contra a crise é o crescimento do País", disse ao reconhecer que "precisamos melhorar as condições e o Brasil quer a diminuição dos impostos".

"Mecanismos desleais". Ao abordar a necessidade de proteger o mercado interno, a presidente alertou sobre importações indesejadas. "Nosso mercado interno é um dos mais vigorosos", avaliou. "Se torna importante proteger esse mercado e garantir que não usem mecanismos desleais de preços para chegar ao País e destruir toda uma linha de produção", disse, sobre o problema do consumo em baixa nos países ricos, em momento de crise econômica global.

Neste contexto, a presidente disse que "vivemos em condição extremamente adversa porque os países desenvolvidos têm mecanismos de defesa e prejudicam o Brasil porque não têm onde colocar seus produtos, não têm consumidor consumindo e não tem emprego suficiente". Quando acontece isso, nos EUA, UE e Japão - citou - somos invadidos por quantidade imensa de produtos baratos.

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