Dilma comemora e 'alfineta' críticos

Presidente soube do resultado do leilão a caminho de Fortaleza; em terra, enfatizou que 'pessimistas e incrédulos teriam dia de amargura'

LISANDRA PARAGUASSU, ENVIADA ESPECIAL / FORTALEZA , O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2013 | 02h16

A presidente Dilma Rousseff comemorou ontem o resultado do leilão dos aeroportos do Galeão, no Rio de Janeiro, e de Cofins, em Belo Horizonte, com um recado aos críticos do governo: "Não deu errado! Vou repetir: não deu errado!"

Dilma soube do resultado do leilão ainda no avião presidencial, quando estava em trânsito para Fortaleza, onde cumpriu ontem uma agenda longa, com inaugurações e liberações de recursos para diversas obras. Ao chegar no canteiro de obras do metrô da cidade, onde ocorreu a cerimônia, mostrava-se visivelmente satisfeita. Em especial, foi o leilão do Galeão, com 294% de ágio, que mais surpreendeu o governo.

Ao contrário do seu padrão normal de comportamento, a própria presidente, entusiasmada, procurou os jornalistas que observavam seu passeio pelo canteiro de obras para falar sobre o leilão. "O resultado é muito bom. Foi, de alguma forma, muito além das expectativas", afirmou.

Em seu discurso, não perdoou os críticos, mesmo sem nomeá-los diretamente. "Todos aqueles pessimistas, os incrédulos, hoje vão ter um dia de amargura. Porque não deu errado. Vou repetir: não deu errado. Porque no Brasil tem uma coisa muito triste, torcem para dar errado", afirmou. "Dessa vez, mais uma vez, não deu errado. Em Libra torceram para dar errado, mas não deu errado. E eu tenho certeza que as próximas licitações não vão dar errado."

O leilão de Libra, primeira área de exploração petrolífera do pré-sal, foi vendida pelo preço mínimo sem disputa, pois houve a inscrição de apenas um consórcio interessado.

Interesse. A presidente afirmou que o resultado dos leilões, que atraíram empresas administradores de grandes aeroportos, "mostra o interesse imenso dessas empresas no Brasil". "Isso mostra duas coisas: primeiro, o enorme interesse dos investidores no Brasil. Segundo, mostra claramente que o Brasil continua sendo uma grande oportunidade para os brasileiros. E eles têm que ter orgulho do que têm e do que foi feito no País." Dilma comemorou, ainda, o fato de tanto Galeão quanto Confins terem sido arrematados por consórcios que envolvem empresas administradoras de grandes aeroportos mundiais.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, também mostrou satisfação com o resultado do leilão. "Quando você oferece um produto rentável, você atrai competição e investidores. São R$ 19 bilhões. Não é um leilão pequeno, é um leilão grande." A ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, chegou a interromper por duas vezes uma reunião no Palácio do Planalto para ver a transmissão ao vivo dos lances do leilão. Em seu twitter, a ministra afirmou que o leilão confirmou as expectativas do governo e que agora espera-se "mais e melhores serviços aos usuários, pessoas, empresas e produtos". Já o ministro da Secretaria de Aviação Civil, Moreira Franco, disse que o resultado é "uma grande demonstração de confiança no futuro do Brasil por parte da iniciativa privada" e garantiu que o governo está no caminho certo.

Meio elogio. Para o presidente do PSDB e pré-candidato do partido à Presidência, senador Aécio Neves (MG), os leilões mostraram que, quando o PT acompanha a "agenda proposta" pelos tucanos, o partido acerta. Entretanto, Aécio disse lamentar que as concessões estejam ocorrendo com dez anos de atraso.

Segundo o presidente do PSDB, o PT, partido que "demonizou" a participação do setor privado em aeroportos, portos, rodovias e ferrovias durante toda sua história, "se curva à realidade". / COLABOROU RICARDO BRITO

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