Dilma confere a Levy, Barbosa e Tombini comando da economia e resgate da confiança

Joaquim Levy foi confirmado nesta quinta-feira como novo ministro da Fazenda, enquanto Nelson Barbosa assumirá o Planejamento e Alexandre Tombini permanecerá à frente do Banco Central, formando o novo comando da equipe econômica da presidente Dilma Rousseff com um perfil mais ortodoxo e com a incumbência de resgatar a confiança dos agentes econômicos.

REUTERS

27 de novembro de 2014 | 15h47

Em comunicado, o Palácio do Planalto não informou quando Levy e Barbosa assumem os novos postos no lugar, respectivamente, de Guido Mantega e Miriam Belchior.

"Os ministros Mantega e Miriam permanecerão em seus cargos até que se conclua a transição e a formação das novas equipes de seus sucessores", trouxe a nota do Palácio.

Às 16h, a nova trinca da equipe econômica dará entrevista coletiva, onde responderão a seis perguntas.

Levy foi secretário do Tesouro durante o governo Luiz Inácio Lula da Silva, num momento em que as contas públicas passaram por ajustes, movimento que deve voltar a imprimir agora à frente da Fazenda.

Barbosa também já fez parte do governo do PT e, sob a batuta da presidente, ocupou a secretaria-executiva da Fazenda, de onde saiu criticando a política fiscal que, nos últimos anos, contribuiu para um quadro de inflação alta e crescimento fraco.

A escolha da nova equipe econômica sinaliza que Dilma se dobrou aos números após seu primeiro mandato ter sido marcado pela queda na confiança e dados fiscais ruins, com uso da chamada "contabilidade criativa" para fechar as contas, que abriram chances de o Brasil perder a nota de "investment grade".

Em 2012 e em 2013, a meta de superávit primário do setor público não foi cumprida, mas ficou dentro dos limites da lei. Para este ano, o cenário piorou ainda mais. Diante do desempenho pífio da economia e de fortes desonerações afetando as receitas, o governo enviou ao Congresso novo projeto para alterar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) deste ano que, na prática, acaba com qualquer meta de economia para pagamento de juros.

Durante os três primeiros anos do mandato da presidente, a inflação oficial do país nunca ficou muito distante de 6 por cento, sendo que em 2011 --seu primeiro ano à frente do Palácio do Planalto-- fechou no topo da meta, de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos.

Para este ano, as projeções do governo são de que o indicador ficará em 6,45 por cento e o Banco Central elevou os juros básicos do país a 11,25 por cento, acima dos 10,25 por cento no final do governo anterior, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O cenário de inflação alta vem junto ao de economia enfraquecida. Entre 2011 e 2013, o Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu, em média, 2 por cento ao ano, bem abaixo dos 3,4 por cento em igual período do governo do presidente Lula.

Para 2014, a projeção de especialistas é de expansão de cerca de 0,20 por cento, após o país ter caído em recessão técnica no segundo trimestre pela primeira vez desde a crise internacional de 2008/09.

(Reportagem de Jeferson Ribeiro, Maria Carolina Marcello e Luciana Otoni, em Brasília)

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