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Dilma critica novo 'protecionismo cambial'

Para presidente, países ricos são responsáveis por manipular câmbio para proteger seus mercados; Brasil e Argentina aceitaram o Stand Still até 2016

ANDREI NETTO, ENVIADO ESPECIAL, SÃO PETERSBURGO, O Estado de S.Paulo

07 de setembro de 2013 | 02h17

Criticado ao longo da semana por tentar vetar as cláusulas da declaração final do G-20, que bloqueavam a adoção de novas medidas de salvaguarda de mercados, o governo brasileiro atacou ontem o "novo protecionismo" cambial de países desenvolvidos. A crítica foi feita em São Petersburgo, na Rússia, pela presidente Dilma Rousseff, que classificou desvalorizações artificiais de câmbio como "protecionismo indireto" destinado a criar superávit comercial.

Até a noite de quinta-feira, Brasil e Argentina ainda vetavam a inclusão na declaração final da reunião do G-20 de um item sobre a resistência ao protecionismo e o estímulo ao comércio global e ao investimento. O item foi incluído nos documentos de síntese da reunião de cúpula no G-20 de Londres, em 2009, quando os chefes de Estado e de governo se comprometeram a não criar novas medidas de proteção de mercados. O primeiro acordo foi válido até 2010, depois renovado até 2013.

A cláusula precisaria ser renovada no G-20 de São Petersburgo, mas os governos de Dilma Rousseff e de Cristina Kirchner se opuseram. As negociações sobre o tema se estenderam e, por fim, as delegações dos dois países cederam. Com a adesão, a declaração final afirmou: "Nós reconhecemos o risco de desaceleração econômica e de enfraquecimento do comércio causado pelo protecionismo. Nós estendemos até o fim de 2016 nosso acordo Stand Still".

Barreiras. O G-20 afirma que está empenhado "em remover barreiras e impedimentos ao comércio global e ao investimento" e em completar a Rodada de Doha. Apesar dos compromissos assinados pelas 20 maiores economias do mundo, novas práticas não concorrenciais continuam deturpando o comércio, segundo Dilma. "Repudiamos as formas de protecionismo tradicionais e repudiamos as não tradicionais derivadas, por exemplo, de políticas não convencionais expansionistas que produziram em um primeiro momento uma valorização das moedas vis-à-vis o dólar e, agora na saída, vão provocar o efeito oposto", disse a presidente.

Para Dilma, a oscilação produz instabilidade econômica em países emergentes. "Queremos estabilidade, baixa volatilidade, uma maior tranquilidade no que se refere aos efeitos das políticas dos países sobre as nossas políticas domésticas", argumentou. A presidente se referia, em especial, à decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) de retirar as medidas de estímulo à economia, que somam US$ 85 bilhões por mês. O anúncio da medida pela autoridade monetária teria agravado a fuga de capitais de países emergentes, em especial Índia, Brasil, Rússia e Turquia, cujas moedas sofreram desvalorizações entre 10% e 25% desde janeiro de 2013.

"Os emergentes fizeram um estudo que mostra que nós perdemos posições por redução no comércio internacional, não só por protecionismo, mas também pela queda da demanda dos países desenvolvidos e por políticas protecionistas indiretas", alegou Dilma. "Um exemplo: política de desvalorização cambial para gerar superávit comercial."

Ideal. Para Dilma, o ideal é não ter na economia global movimentos dessa natureza "nem de um lado, nem de outro". "Queremos estabilidade, uma baixa volatilidade, uma maior tranquilidade no que se refere aos efeitos das decisões dos países nas políticas domésticas." /COLABOROU FERNANDO NAKAGAWA

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