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Dilma critica 'pessimistas' com leilão de BRs

Presidente assinou contratos de concessão dos três lotes de rodovias leiloados no fim de 2013

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

13 de março de 2014 | 02h06

Criticada pelos modestos resultados obtidos na economia, a presidente Dilma Rousseff mandou um recado ontem aos mais pessimistas na cerimônia de assinatura dos contratos de concessão de três lotes de rodovias leiloados no fim do ano passado: BR-163 em Mato Grosso, BR-163 em Mato Grosso do Sul e BR-040 entre Juiz de Fora (MG) e Brasília.

"Esse programa começou, e houve muita desconfiança, gente muito pessimista em relação a ele", disse. "Aproveito e uso de uma imagem feita pelo grande Nelson Rodrigues, que dizia que os pessimistas fazem parte da paisagem assim como os morros, as praças e os arruamentos." Os concessionários, acrescentou ela, vão mudar a paisagem. Por isso, têm uma ação "fundamentalmente" otimista.

"Se estamos investindo R$ 7 bilhões é porque estamos no grupo que faz parte da transformação", comentou depois o diretor-presidente da concessionária BR-040, Tulio Abi-Saber. Para reunir o grupo, o governo remanejou as datas das assinaturas dos contratos, para concentrá-los todos e criar uma agenda positiva em meio à crise que o governo enfrenta no front político.

O programa de concessões é apontado no setor privado como um acerto da gestão Dilma. Mas sempre com a ressalva que ele só decolou depois que o governo recuou de seu modelo original e adotou as mudanças pedidas pelas empresas.

Modicidade tarifária. Após os ajustes, os leilões realizados no fim do ano passado foram concorridos. Nos três trechos formalizados ontem, os deságios superaram os 50%, resultando em pedágios na faixa de R$ 2 a R$ 4,50 para cada 1.000 km.

"Não foi fácil, mas avançamos", comentou o ministro dos Transportes, César Borges, que deu todos os créditos do sucesso a Dilma e disse que o programa deveria chamar-se "Programa de Concessões Presidenta Dilma Rousseff."

Os três contratos assinados ontem preveem, juntos, investimentos de R$ 18,2 bilhões em 30 anos. As obras de duplicação terão de estar todas concluídas em cinco anos. E a cobrança de pedágio só começará depois que pelo menos 10% das obras de duplicação estiverem concluídas.

A concentração dos investimentos no início do contrato foi um ponto de queda de braço entre o governo e o setor privado. Dilma reafirmou ontem que esse ponto é essencial. "Se levar dez anos, o custo do País aumenta." Mas ela mesma reconheceu que o governo vem tentando duplicar a BR-163 desde a criação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em 2007. "Agora nós temos essa rodovia, a 163, concessionada num dos trechos estratégicos dela."

Ela se refere a uma extensão de quase 1.700 km que vai da divisa do Paraná com Mato Grosso do Sul até Sinop (MT). São dois contratos, com metade da extensão cada um. Em Mato Grosso, a concessionária Rota do Oeste, liderada pela construtora Odebrecht, terá de duplicar aproximadamente 450 km, e o restante será feito com recursos públicos, no PAC. Em Mato Grosso do Sul, há apenas 22 km duplicados. O restante será feito pela concessionária CCR MSVia.  (Lu Aiko Otta, Rafael Moraes Moura, Erich Decat e Tânia Monteiro)

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