Dilma decepciona empresários e não promete estímulos

Após anunciar o Plano Safra com aumento de 15% no crédito para angariar apoio do setor rural, a presidente Dilma Rousseff convidou nesta quinta-feira, 22, empresários de 36 setores da indústria brasileira para reunião no Palácio do Planalto, mas não acenou com novos estímulos para o setor. Segundo participantes da reunião, a presidente nem mesmo confirmou se será permanente a política de desoneração da folha de pagamentos, demanda antiga dos empresários nacionais.

LAÍS ALEGRETTI, NIVALDO SOUZA E TANIA MONTEIRO, Agencia Estado

22 de maio de 2014 | 23h01

Na conversa com o empresariado, Dilma se comprometeu a dar uma posição sobre a permanência ou não da desoneração da folha de pagamentos em até uma semana. De acordo com o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, além de não ter definição quanto ao prazo, não houve compromisso de que novos setores seriam contemplados pelo benefício. "Nossa demanda é de que novos setores sejam incluídos", completou.

Segundo Andrade, os ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior vão estudar a questão nos próximos dias. Os titulares das duas pastas, Guido Mantega e Mauro Borges, também participaram da reunião.

Apesar da expectativa em relação a um posicionamento sobre a permanência da política de desoneração da folha de pagamentos, a presidente Dilma Rousseff já disse em dezembro do ano passado que essa seria uma política permanente do governo federal. "Diante da crise, os governos são levados a fazer coisas que não fazem em tempos normais. E uma política anticíclica foi praticada no Brasil. Tem uma parte dela que vai ser permanente, por exemplo a questão da desoneração sobre folha de pagamento", afirmou na ocasião.

Afago

O encontro de Dilma com o setor industrial ocorreu dias depois de a presidente afagar o agronegócio no início desta semana com o anúncio do Plano Safra 2014/2015, no valor de R$ 156,1 bilhões. Em entrevista no próprio Palácio do Planalto, os empresários elogiaram a postura do governo federal. "Vou embora mais feliz com o governo. Acho que a presidenta inaugurou um novo jeito de fazer as coisas", elogiou o presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq), Synésio Batista da Costa.

Costa ficou responsável pela pauta tributária do encontro e sugeriu ao governo alongar para 90 dias o prazo que as empresas têm para recolher impostos e tributos, o que hoje é feito no 25º dia após a saída dos produtos da fábrica. Ele também pediu para que fosse reduzido para 5% o valor da entrada do pagamento das dívidas das empresas com a União interessadas em participar do Refis. O programa de refinanciamento de impostos atrasados, alterado no Congresso com a medida provisória 638, estabelece que as empresas que decidam aderir ao programa deverão pagar uma entrada de 10% do total devido, para dívidas de até R$ 1 milhão, e de 20% para dívidas superiores a esse valor.

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