finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Dilma defende direitos dos governos locais

Os governos locais têm o direito de orientar os investimentos estrangeiros em seus países. O recado foi dado ontem pela presidente Dilma Rousseff, depois de um encontro com representantes de empresas brasileiras que investem em Moçambique, na África.

TÂNIA MONTEIRO, ENVIADA ESPECIAL, MAPUTO, MOÇAMBIQUE, O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2011 | 03h05

"A presença do governo nas decisões de orientações estratégicas é essencial porque quem sabe para onde e quem tem legitimidade de dizer para onde um país vai é o governo eleito democraticamente", disse Dilma, ao lado do presidente moçambicano, Armando Guebuza.

No encontro, Dilma chamou a atenção dos executivos para que seja evitado uma atitude imperialista por parte das companhias ao se instalarem nos país africano. Segundo Marcelo Odebrecht, presidente do grupo Odebrecht, a presidente afirmou que não pode existir apenas a "visão da exploração", é preciso que se deixe um legado.

Revolução. "Nós financiamos a revolução industrial inglesa com o ouro de Minas Gerais", comentou Dilma com Guebuza, numa referência sobre aquilo que ela não quer que os empresários brasileiros façam com o país africano. Além da Odebrecht, participaram da reunião com Dilma representantes da Queiroz Galvão, Camargo Correa e o presidente da Vale, Murilo Ferreira.

A mineradora brasileira está concluindo investimento de US$ 1,8 bilhão na exploração de uma mina de carvão em Moçambique. Outros US$ 3 bilhões serão investidos na ampliação do projeto. Além disso, a empresa está construindo 210 quilômetros de estrada de ferro que servirá para escoar carvão mineral e um porto para exportação da commodity. Com isso, a Vale vai dobrar a produção de carvão no país africano até 2014.

O embaixador brasileiro em Moçambique, Antonio Souza e Silva, explicou que a exportação de carvão siderúrgico para o Brasil vai ajudar a diminuir o desequilíbrio da balança comercial entre os dois países. A corrente de comércio entre Brasil e Moçambique somou US$ 64,6 milhões, no ano até setembro. As exportações brasileiras totalizaram US$ 61,03 milhões, enquanto os moçambicanos venderam US$ 3,56 milhões para o Brasil.

No discurso no Palácio de Governo, a presidente fez referência sobre as conversas mantidas com os empresários e disse que é preciso fazer parcerias com o governo moçambicano.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.