Dilma defende investimentos em usinas hidrelétricas

Presidente diz que usinas de Jirau e Santo Antônio marcam retomada de grandes projetos de geração no País

Renato Andrade, O Estado de S.Paulo

06 de julho de 2011 | 00h00

ENVIADO ESPECIAL /PORTO VELHO

A presidente Dilma Rousseff defendeu ontem a retomada dos investimentos para construção de hidrelétricas no País. Segundo ela, a exploração do potencial hídrico evitará o uso de outras fontes de energia mais poluidoras ou de maior risco para a população.

"Quando você não tem usina hidrelétrica, o que se usa no lugar é energia nuclear ou energia térmica. Isso significa que você está poluindo de uma forma inimaginável a natureza ou colocando em risco a própria vida da sua população", disse a presidente durante o início do processo de desvio do rio Madeira (RO), uma das etapas da construção da hidrelétrica de Santo Antônio, que entrará em operação a partir de dezembro.

Na avaliação da presidente, a construção da usina de Santo Antônio, que junto com a usina de Jirau forma o complexo hidrelétrico do rio Madeira, pode ser considerada como um marco na retomada dos investimentos em grandes projetos de geração de energia a partir de fontes hídricas.

"Esse é um momento histórico porque estamos vendo se concretizar um projeto estratégico para o Brasil que é a volta do investimento em usinas hidrelétricas. Nós paramos de investir em usinas de grande porte e só recentemente retomamos", afirmou.

Plano Decenal. A construção de hidrelétricas é a maior aposta do governo federal para aumentar a geração de energia nos próximos dez anos. A estratégia em estudo prevê a construção de 24 usinas a partir de 2016, que poderão agregar mais de 18 mil megawatts (MW) de eletricidade ao sistema brasileiro. Estão previstos R$ 190 bilhões em investimentos para a área de geração. Mais da metade do valor será aplicado em hidrelétricas.

De acordo com a versão preliminar do Plano Decenal (2011-2020) de Expansão de Energia (PDE), o governo deve leiloar ainda este ano oito projetos hidrelétricos, que representam cerca de 10% do volume de energia nova que deve começar a ser gerada dentro de cinco anos.

A usina de Santo Antônio, no Rio Madeira, terá capacidade instalada para gerar até 3.150 MW de energia. A empresa responsável pelo projeto negocia com o governo a possibilidade de ampliar o número de turbinas no empreendimento.

Os sócios de Jirau também querem aumentar a potência da usina. Se as propostas forem aprovadas pelo Ministério de Minas e Energia, as duas hidrelétricas poderão garantir um volume extra de eletricidade de 400 MW.

Desenvolvimento. Para a presidente Dilma, a construção das usinas no rio Madeira reflete uma mudança na forma de pensar o desenvolvimento econômico do Brasil, que segundo ela, não está voltado apenas para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB), mas para gerar empregos e melhorar a distribuição de renda.

A presidente reconheceu que o País cresceu no passado, mas de forma desigual. "Muitas pessoas ficaram muito pobres e poucas pessoas ficaram muito ricas. Nós queremos um desenvolvimento diferente", disse a presidente.

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