Dilma defende 'pouso suave' da inflação--jornal

A presidente Dilma Rousseff disse que o governo está "criando um quadro de inflação sob controle", mas que não abre mão do crescimento econômico e defendeu um "pouso suave" da inflação, em entrevista concedida nesta sexta-feira a cinco jornais.

REUTERS

22 de julho de 2011 | 18h41

"Estamos fazendo o chamado pouso suave, com uma taxa de crescimento e de emprego adequadas para o país", disse Dilma a jornalistas, segundo publicou na Internet o jornal Folha de S. Paulo.

A presidente argumentou, afirmou o jornal, que uma política de convergência da inflação com o centro da meta no "curtíssimo prazo teria um efeito danoso para a economia".

Contudo, ao ser questionada sobre qual o prazo para que o Brasil volte a ter a inflação no centro da meta, Dilma afirmou apenas que o governo fez a opção de manter "a economia crescendo de forma consistente".

Até junho, a inflação acumulada em doze meses pelo IPCA foi de 6,71 por cento, acima do teto da meta fixada pelo governo para este ano, com centro em 4,5 por cento e dois pontos de tolerância.

Ela afirmou também que problemas "conjunturais" fizeram com que a inflação neste ano rompesse o teto da meta. Citou nominalmente o preço do etanol e argumentou que isso já estaria "minimizado".

Nas próximas semanas, o governo deve reduzir o percentual de álcool anidro na gasolina e, com isso, espera equilibrar os estoques de etanol e evitar que uma alta dos preços pressione a inflação ainda neste ano.

A presidente também disse que considera "correta" a postura do Banco Central, que nesse ano já aumentou a taxa básica de juros em 1,75 ponto percentual.

CÂMBIO

Dilma disse que está preocupada com o cenário internacional e que se o governo perceber alguma "ameaça" de contaminação por causa das crises na Europa e nos Estados Unidos adotará "medidas duras".

Apesar disso, Dilma deixou claro que não é hora de adotar medidas para conter a valorização do real frente ao dólar.

"Você acha que a gente pode fazer alguma coisa se a gente não sabe se o pessoal está brincando na beira do abismo ou se já criou uma rede de proteção?", disse, em referência à crise externa e os efeitos sobre o câmbio.

Na avaliação da presidente, seria "uma coisa absurda" haver um calote da dívida norte-americana "mas nunca se sabe". Essas incertezas, segundo Dilma, impedem o Brasil de tomar medidas para conter os movimentos do câmbio.

"O mundo está andando de lado. Deixa ele andar um pouco para frente que a gente decide", disse.

A presidente confirmou que no próximo dia 2 lançará a nova política industrial, mas descartou que entre as medidas a serem anunciadas estará a desoneração da folha de pagamento, que é aguardada pelo setor produtivo. Isso será feito "na sequência", segundo Dilma.

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