Dilma discutirá efeitos da crise nos emergentes em reunião dos Brics

A criação de um banco comum com o objetivo de fomentar investimentos também será abordada durante a 4ª reunião dos Brics 

Tânia Monteiro, da Agência Estado,

22 de março de 2012 | 20h56

Os efeitos da crise econômica sobre os países emergentes e a criação de um banco comum com o objetivo de fomentar investimentos serão alguns dos temas que estão na pauta de discussão da 4ª reunião dos Brics, grupo de engloba Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, a partir da próxima quarta-feira, em Nova Délhi.

A viagem da presidente Dilma Rousseff incluirá uma visita oficial à Índia, com discussões bilaterais que visam aumentar o comércio entre os dois países dos atuais US$ 9,1 bilhões para US$ 15 bilhões, até 2015.

Paralelamente aos Brics serão realizados dois fóruns financeiros para analisar possibilidades de estímulo ao comércio, que hoje é da ordem de US$ 250 bilhões. Um deles será com a presença de presidentes ou representantes de bancos centrais dos cinco países, e o outro, com ministros da economia.

Sessenta empresários também acompanharão a presidente Dilma na visita. Os integrantes do grupo querem consolidar os Brics como referência no cenário econômico e político internacional, tomando posições conjuntas, para fortalecer as ideias defendidas pelos emergentes.

Em entrevista no Itamaraty, a subsecretária geral de política do Ministério das Relações Exteriores, a embaixadora Maria Edileuza Fontenele Reis, disse que a cúpula será realizada em um "momento sensível e delicado" para a economia mundial, com a crise do euro, sem um horizonte para ser definida. A presidente Dilma já esboçou sua preocupação com a enxurrada de euros que está sendo despejada pelos países europeus, pressionando a economia dos países em desenvolvimento e derrubando as moedas locais.

Doha

No encontro, a presidente Dilma e os demais integrantes do bloco voltarão a discutir a Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC). Segundo a embaixadora Maria Edileuza Fontenele Reis, o fato de a Rússia ter sido admitida, no ano passado, como membro da organização que regula o comércio mundial, abre uma nova perspectiva para os Brics em relação à Rodada Doha, suspensa desde 2008 em virtude dos impasses quanto aos subsídios agrícolas dos países desenvolvidos e as barreiras impostas pelos emergentes a serviços e produtos industrializados dos países ricos.

A presidente Dilma embarca no domingo à noite e só retorna ao Brasil no domingo 1° de abril. Além da cúpula dos Brics, a presidente Dilma terá reuniões bilaterais com os presidentes da Rússia, Dmitri Medvedev, da China, Hu Jintao, da África do Sul, Jacob Zuma, e com o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh.

Na sexta-feira, dia 30, Dilma será recebida pela presidente da Índia, Pratibha Patil. Durante os encontros com os indianos serão assinados acordos bilaterais de cooperação técnica, meio ambiente, cultura, promoção da igualdade de gênero e avanços na área científica e tecnológica. Dilma poderá se reunir ainda com o líder da oposição do país.

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