Dilma diz que governo está se esforçando para solucionar greve dos caminhoneiros

Presidente sugere que há recepção da categoria às propostas apresentadas

O Estado de S. Paulo

26 Fevereiro 2015 | 15h22

BRASÍLIA - Em rápida entrevista após a cerimônia de anúncio de medidas para beneficiar pequenos e microempresários, a presidente Dilma Rousseff limitou-se a dizer que o governo está se empenhando para resolver o problema da greve dos caminhoneiros, que se estende por mais de uma semana. 

Dilma sugere que estivesse havendo recepção às propostas apresentadas pelo governo, para encerrar o movimento e evitou responder a perguntas sobre a manutenção de pontos de paralisação em vários estados do País.

"O governo está fazendo, como vocês viram, todo um esforço na questão da resolução da greve", disse a presidente. "Apresentamos para várias lideranças e empresários que foram consultados, um conjunto de propostas, que já foi divulgado e a gente tem visto que elas têm tido uma recepção", prosseguiu a presidente, desconversando diante da insistência dos jornalistas que a paralisação prosseguia em vários estados, apesar das propostas. 

"Aguardamos e os ministros responsáveis estão todos em atividade trabalhando nestas propostas, que eu não vou dizer quais são aqui, porque tenho absoluta certeza que vocês as conhecem", encerrou Dilma, sem responder aos questionamentos.

Negociação. A proposta assinada pelo governo e por representantes de trabalhadores foi assinada por 11 entidades de classe e garante a sanção integral da Lei do Caminhoneiro; carência de 1 ano para pagamento das parcelas de financiamento de caminhões pelo Finame e Pró-Caminhoneiro; elaboração de tabela referencial de frete por entidades representativas de caminhoneiros, transportadoras e embarcadores com mediação do Ministério dos Transportes; ausência de aumento de diesel para caminhoneiros por seis meses.

Ivar Schimidt, um dos líderes do Comando Nacional dos Transportes, alega que o governo está negociando com as pessoas erradas. Segundo ele, os ministros se reuniram com sindicatos e associações que não têm contato com os caminhoneiros que estão parados. Na quarta-feira, 25, após o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Miguel Rossetto, anunciar os termos do acordo, Schimidt disse que não foi ouvido pelo ministro e que as manifestações continuariam porque não atendem ao pleito dos trabalhadores, que é a redução em R$ 0,50 do preço do óleo diesel. 

Ele e outros cem líderes articulam a manutenção do protesto por meio de um grupo do WhatsApp. "Se o governo acha que as medidas vão acabar com bloqueios, é só esperar para ver", disse após o anúncio de Rossetto. "As medidas do governo não atendem o movimento. A paralisação continua", afirmou. 

Já a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), que participou das negociações com o governo, disse esperar sensibilidade dos caminhoneiros que estão parados. "Nossa expectativa é que a categoria se sensibilize com as conquistas e encerre o movimento", afirmou o presidente da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), Diumar Bueno, após fechar o acordo.

Prejuízos. Caminhoneiros interditam o trânsito em rodovias federais em várias regiões do País. Nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, já há desabastecimento de alimentos e combustível. Produtores de soja e de leite contabilizam perdas. 

A avicultura e a suinocultura contabilizam fortes prejuízos com a greve. Mais de 60 plantas frigoríficas apresentam redução da produção ou paralisação total. Pequenas e grandes empresas foram prejudicadas. Contratos de exportação começam a ser postergados.

Segundo o presidente-executivo da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, mesmo quando os bloqueios terminarem, ainda levará semanas até que tudo seja restabelecido. "O ciclo de produção de aves, que é o mais rápido, demora 45 dias. Não há dúvidas que faltará alimentos nas prateleiras", considerou, em comunicado. (Com informações da Agência Estado e da Reuters). 

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