André Dusek|Estadão
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Dilma diz que irá retomar crescimento sem guinadas e mudanças bruscas

Presidente afirmou que a política econômica deve ter duas vertentes, o equilíbrio e o crescimento

Ricardo Brito, Adriana Fernandes e Rachel Gamarski, O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2015 | 18h47

Texto atualizado às 22h55

A presidente Dilma Rousseff orientou nesta segunda-feira, 21, os novos ministros da Fazenda, Nelson Barbosa, e do Planejamento, Valdir Simão, a fazerem “o que for preciso” para retomar “com urgência” o crescimento do País sem “guinadas” e mudanças bruscas. Em solenidade de posse da equipe econômica no Palácio do Planalto - sem a presença do vice-presidente, Michel Temer -, a presidente destacou em várias ocasiões que o equilíbrio fiscal e a melhora da atividade econômica “podem e devem andar juntos”, cobrando os recém-empossados que “contagiem” a sociedade com essa linha de atuação.

Ao mesmo tempo em que buscou fazer um aceno para o mercado prometendo a continuidade do ajuste, Dilma tem indicado aos críticos o aperto nas contas públicas. Disse ser preciso ir “além do corte de gastos e de colocar as contas em dia” para estabelecer o crescimento econômico como prioridade.

Sem citar o compromisso com a meta de superávit de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB), como fez Barbosa no dia da sua indicação para o cargo, a presidente orientou seus auxiliares a usarem metas “realistas e factíveis” para construir a credibilidade e que atuem para estabilizar e reduzir “consistentemente” a dívida pública.

O risco de uma guinada na política econômica para garantir o crescimento a todo custo é o maior temor do mercado, que vê na saída de Joaquim Levy do Ministério Fazenda a oportunidade para afrouxar o rigor fiscal para o tirar o Brasil da recessão e indiretamente ajudar a barrar o impeachment.

“A mudança na equipe econômica não altera nossos objetivos de curto prazo, que são restabelecer o equilíbrio fiscal, reduzir a inflação, eliminar a incerteza e retomar, com urgência, o crescimento”, defendeu.

Sintonia. O discurso foi de sintonia com a cartilha de Barbosa, que tem perfil desenvolvimentista e sempre defendeu o crescimento para a sustentabilidade das contas públicas.

Dilma disse que o governo fez um esforço “extraordinário” para garantir este ano a estabilização fiscal com a adoção de metas realistas e transparentes, num aceno ao ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy, presente à solenidade.

Dilma reconheceu que o País vai fechar o ano com déficit. No jogo de palavras, evitou falar em recessão e atribuiu a “taxa” de crescimento a fatores internos e externos.

Em linha com as declarações de Nelson Barbosa, em entrevista ao Estado no domingo, a presidente afirmou ser preciso aprovar reformas como a da Previdência para melhorar a saúde da economia. Mas não foi enfática. Disse ainda haver tarefas “importantíssimas” para arrumar as contas públicas, pedindo a “cooperação” e diálogo do Congresso para aprovar no próximo ano a DRU (Desvinculação das Receitas da União) e o retorno da CPMF.

Dilma defendeu a simplificação do sistema tributário para que as empresas não tenham medo de crescer. Ela disse que as reformas do PIS/Cofins e do ICMS podem destravar os investimentos, destacando o trabalho constante do governo em realizar concessões e aprimorar os marcos regulatórios. Dilma destacou que duas atitudes são essenciais - a flexibilidade e a previsibilidade - a fim de construir um ambiente “amigável” para os investimentos.

Aplausos. Dilma agradeceu os serviços prestados por Levy, a quem chamou de “meu caro”. Ela disse que ele foi “imprescindível” para realizar o ajuste fiscal em meio a um ambiente de crises econômica e política e destacou que ele foi responsável por economizar R$ 134 bilhões. “Levy superou desafios e muito contribuiu para a estabilidade e que jamais deixarei de reconhecer”, disse a presidente, no único momento de aplauso durante os 15 minutos de discurso.

A cerimônia contou com a presença do grandes banqueiros, como Luiz Carlos Trabuco, presidente do Bradesco, Roberto Setubal, do Itaú, Persio Arida, do BTG, e Murilo Portugal, da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban).

Mas importantes aliados políticos não compareceram, como o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). O vice-presidente, Michel Temer, a quem o Planalto acusa nos bastidores de conspirar contra o governo, tampouco apareceu. / COLABOROU RACHEL GAMARSKI

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